Se a mulher está acima do peso, possui alguma imperfeição na pele, exibe desgraçadamente umas celulites, estrias e outros males femininos – diga-se de passagem, tenebrosos –, não deve entrar em pânico. Existem as cirurgias estéticas. Implanta-se silicone, desimplanta-se silicone, puxa dali, estica daqui e tudo se aperfeiçoa. Se a desventurada não tem dinheiro para as tais cirurgias estéticas e quer sair linda na foto, também não precisa se preocupar. Basta que o fotógrafo tenha um programa de computador chamado Photoshop e ela se transforma em beldade capazes de competir com modelos internacionais.
Há, no entanto, outra preocupação estética que se não freada a tempo, pode transformar não apenas os seres, mas todo o País, num paraíso “comunista”. O princípio da ética revolucionária é a estética. Não importa se fazem o bem ou o mal. O que importa é sair bonito na foto. Isso não é opinião. É fato. E a ‘foto’ não é um pedaço de papel ou uma imagem que se apresenta numa tela virtual. É a mídia.
Falo da mídia que garante ‘maquiagem’ completa. Não publica o que existe de podre na vida pessoal dos homens e mulheres engajados na política e também omite o que fazem de mal para o País. Conchavos e vínculos criminosos são todos escondidos embaixo do tapete de redações.
A moral anda completamente invertida. Se a economia apresenta alguma melhora isso basta para os shows pirotécnicos midiáticos abafarem o que realmente conta para a sociedade. Se o leitor tiver oportunidade, faça uma busca sobre a fábula de dinheiro que será destinado para a reforma e construção de estádios para a Copa do Mundo e para a Olimpíada no Brasil.
Após 2014, em termos de estádios de futebol, pareceremos um país da Europa. Se o leitor for um pouco insistente e procurar alguma informação sobre escolas públicas e hospitais públicos, vai se sentir no mais profundo fosso de miséria. Veja a confusão. Estádios e hotéis esplendorosos, de encher os olhos, todos os dias, na televisão. Escolas depredadas, mais parecidas com presídios do que centros de formação de cidadãos, e hospitais públicos onde, diariamente, morrem milhares de pessoas não podem ser vistos nem lá fora, nem aqui.Para essa gente, o que importa é não ir para a lata de lixo da História. Pretendem nos fazer crer que a História quem faz somos nós, os pobres, a população que se encontra na base da pirâmide social. Isso é o suprasumo da mendacidade.
Os veículos de comunicação “engajados”, através de mecanismos de engenharia social, fabricam necessidades, valores, hábitos, cultura. Criam ídolos, desviam os eixos conceituais e transformam a vida das pessoas sempre para pior, pelo simples fato de extinguir o debate.
As pessoas manipuladas são incapazes de debater o que assistem ou leem, ou ouvem, porque o que é veiculado não lhes abre brechas para o contraponto. A História é feita de cima para baixo. Todas as guerras, todas as crises econômicas, tudo o que existe de marco e valor histórico, vem de cima. Pena. Não restou espaço para falar da ética, mas não importa. Para quem sabe ler...
Nadir Ap. Cabral Bernardino
Professora