08 de julho de 2026

Trabalho formal cresce


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O crescimento econômico está intensificando um movimento de formalização no mercado de trabalho brasileiro, iniciado há alguns anos. De acordo com dados do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), nos últimos 12 meses terminados em agosto, a cada dez vagas criadas em sete regiões metropolitanas pesquisadas, nove foram com carteira assinada. A pesquisa feita em parceria com a Fundação Seade, considera os dados de São Paulo, Belo Horizonte, Fortaleza, Porto Alegre, Distrito Federal, Recife e Salvador. Segundo o levantamento, entre agosto de 2009 e o mesmo mês deste ano, foram criadas 672 mil postos formais nessas regiões, contra 56 mil vagas sem carteira assinada. No total, o número de trabalhadores com registro chega a 9,066 milhões.

Não deixa de ser positiva esta movimentação, uma vez que a carteira assinada é uma das grandes garantias que o trabalhador brasileiro tem quanto aos seus direitos trabalhistas, entre eles o pagamento de décimo-terceiro, a concessão de férias e a aposentadoria. Isso é uma evidência clara do bom momento vivido pelas empresas brasileiras nos últimos meses, revertendo toda uma tendência que vinha sendo intensificada desde a década de 1980, com o crescimento da informalidade, uma situação bastante instável, já que o trabalhador assumia uma função sem carteira assinada, por conta do desemprego crescente, e não tinha a garantia de seus direitos. A reversão deste quadro é bastante animadora e deixa claro que o sistema produtivo brasileiro vive uma fase excepcional e sem precedentes na história do País.

Atualmente, como o Comércio demonstrou em sua edição de ontem, o emprego formal vem crescendo em ritmo acelerado e a indústria - principalmente a calçadista -tem dificuldades para encontrar mão de obra capacitada. O número de vagas abertas cresce em ritmo mais acelerado do que a colocação no mercado de profissionais habilitados formalmente. É uma situação bastante diversa da verificada há alguns anos, quando a indústria francana passou por uma séria crise e houve um grande número de demissões. Nem a capacitação profissional foi capaz de garantir a carteira assinada de milhares de francanos que se viram sem emprego e sem perspectivas. Muitos partiram para a informalidade e alguns permanecem ali até a atualidade, sem que tenham garantidos os mínimos direitos trabalhistas. Desta forma, deve-se destacar o momento vivido pelos trabalhadores brasileiros neste momento, além de torcer para que se mantenha a estabilidade atual, uma garantia de que a nossa economia continua crescendo, beneficiando cada vez mais os setores produtivos e a classe trabalhadora.