08 de julho de 2026

‘Sabatinas devem servir de modelo’, diz Feldmann


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CONSELHO - Fábio Feldmann conversa com seus assessores durante intervalo da sabatina. Candidato foi claro e firme na defesa de suas posições

O candidato do PV ao governo do Estado, Fábio Feldmann, fechou ontem o ciclo de sabatinas promovido pelo GCN Comunicação. Ele respondeu a todas as perguntas com clareza e foi firme ao opinar sobre os mais variados assuntos. “O GCN foi o lugar em que eu mais fui apertado sobre temas polêmicos”. A entrevista revelou um político preparado e preocupado com o futuro.

Feldmann disse que sua candidatura é diferente por ser pautada por um novo modelo de fazer política em São Paulo, com um programa de governo que prioriza o meio ambiente, o desenvolvimento sustentável e a alimentação saudável. “Eleição não é só voto. É também debate de ideias”. Feldmann foi o 17º político a ser sabatinado pelo GCN na atual campanha eleitoral. Desde o dia 3 de agosto, 11 candidatos a deputado estadual e federal e os seis principais concorrentes ao governo do Estado foram entrevistados no Auditório “Jornalista Corrêa Neves”.

Ainda na madrugada de ontem, ele participava do debate da Globo, em São Paulo, e fez questão de vir à cidade poucas horas depois para apresentar suas propostas aos eleitores locais. “O Partido Verde representa hoje uma força política nova no Brasil. São Paulo tem grandes desafios e acho que vamos poder contribuir na discussão, no debate e no que eu acho mais importante, com uma agenda para o século XXI para o Estado”.

O candidato classificou o seu programa de governo como o mais bem elaborado e avançado diante dos desafios do Brasil. Ele entende que a mudança na forma do brasileiro de analisar a política faz com que, mesmo com propostas estruturadas e consolidadas, permaneça estagnado nas pesquisas com 1% de intenção de voto. “Eu acho que a política esvaziou muito no Brasil nos últimos anos. É inacreditável, mas ninguém lê programa de governo. Há candidatos com planos de cinco páginas que não dizem para que vieram”. Feldmann falou com objetividade sobre temas de relevância nacional, como aborto, união civil de homossexuais e liberação de drogas como forma de enfraquecer o tráfico. Também defendeu a progressão continuada, modelo de educação duramente criticado na campanha eleitoral, e elogiou o ex-governador José Serra (PSDB) por ter implantado a lei antifumo no Estado. “Temos temos de ter mente aberta, o coração aberto par avançar em questões que são importantes para a sociedade”.


PROGRAMA DE GOVERNO
O candidato disse que está tentando focar sua campanha sobre as propostas estruturadas no seu programa de governo. “Eu não tenho nenhuma humildade de dizer que eu considero o nosso programa de governo o mais bem elaborado, o mais avançado, aquele que traz uma visão para São Paulo e para o Brasil diante dos desafios do mundo”

POLÍTICA
O candidato disse que eleição não se resume apenas ao voto e que a discussão do processo também deve ser levada em conta. “É óbvio que na eleição é importante apoiar candidatos, votar em quem você acredita. Mas é também o debate, é discutir, sentir um pouco como a sociedade pensa e quais são as alternativas para essa mesma sociedade”.

O GOVERNADOR
O candidato lembrou que São Paulo tem a maior bancada na Câmara Federal e que cabe ao governador exercer o papel de liderança na defesa dos interesses do Estado em Brasília. “A articulação do governador com a bancada é muito importante. O governador tem peso, tem densidade política. Além de gestor, tem que ser um grande líder”.

SEGURANÇA
Feldmann disse que é preciso tratar a segurança com uma abordagem diferente. Para ele, é preciso entender o crime organizado e a “economia do mal”. “Temos que compreender como funciona e usar a inteligência na polícia. A investigação precisa melhorar. No século XXI, a polícia não pode estar desprovida de condições para entender a criminalidade. Tenho falado muito em tolerância zero em relação ao crime organizado”.

DROGAS
O candidato disse que tem a proposta de tolerância zero para combater o tráfico, mas que, em alguns casos, defende a descriminalização. “Sigo a opinião do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que propôs a descriminalização como instrumento eficaz de combate às drogas. Temos de ter a coragem de entender que, ao descriminalizar determinadas condutas, estaremos ajudando a diminuir o tráfico”.

PEDÁGIOS
Feldmann afirmou que não acha justo o preço dos pedágios e que defende o modelo usuário pagador. “O justo é pagar pelo que realmente usa. Não defendo a ruptura dos contratos vigentes, mas é preciso buscar o equilíbrio econômico. Há um grande espaço para a negociação”. O candidato também defende a implantação de hidrovias e ferrovias.

EDUCAÇÃO
O candidato defende a progressão continuada com a premissa de que sejam criadas condições de ajudar os alunos em dificuldade. “Educação é crucial e nosso grande desafio é melhorar o desempenho dos alunos. Nossa proposta é que tenhamos uma espécie de um padrinho que vai acompanhá-los e ajudá-los em suas dificuldades”.

GUERRA FISCAL
Feldmann disse que não apóia a guerra fiscal e que o ideal é promover a reforma tributária. “A única maneira de se evitar a guerra fiscal é com a reforma. Não tem outra solução. Temos uma carga tributária irracional e precisamos rever esta situação. Quem for eleito (presidente) tem que rever isso.”

HOMOSSEXUAIS
Feldmann defendeu a regulamentação da união civil entre pessoas do mesmo sexo. “Sempre fui muito aberto em relação a isto. Sou a favor, é justo, é legítimo e é contemporâneo. Tolerância é fundamental. Ele também é a favor da adoção de crianças por homossexuais. “Eles estão formando família em sentido amplo. Não vejo porque o preconceito, mas é preciso seguir os mesmos critérios usados com casais heterossexuais”.

POSICIONAMENTO
Durante a sabatina, Feldmann também considerou retrógrado o posicionamento de alguns candidatos que defendem a não regulamentação com base em dogmas religiosos. “Acho esse comportamento absolutamente retrógrado. Sou um judeu liberal e tenho medo da intolerância no Brasil. Defendo o pluralismo e a liberdade que são as teses do meu partido”.

ABORTO
O candidato disse que é a favor da legalização do direito ao aborto em qualquer circunstância. “É um direito da mulher. A proibição prejudica apenas as mais pobres. É uma questão de foro íntimo: se a mulher é contra, deve ser uma decisão dela”.

SAÚDE
Feldmann avaliou que é preciso melhorar muito o atendimento primário no setor de saúde e priorizar as políticas de prevenção. “Estamos cuidando da doença e não da saúde. Nem sempre a prevenção traz visibilidade política, mas é preciso investir nela. Por isso, defendo a regulação e legislação para alimentos mais saudáveis, com menos sal e açúcar e o direito à informação para o consumidor saber o que ele está consumindo”.