09 de julho de 2026

Dona de casa francana 'empresta' barriga para gerar a própria neta


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INUSITADO - Na Maternidade Sinhá Junqueira, a francana Talita Cristina Andrade e o marido Guido Damiano se emocionam ao falar do nascimento da filha Alice, gerada pela avó materna, a dona de casa Eunice Martins

Aos 59 anos, a dona de casa Eunice Martins deixou sua casa na Vila Tótoli, em Franca, e seguiu para a Maternidade Sinhá Junqueira, em Ribeirão Preto, na manhã de ontem. Grávida de 36 semanas, deu à luz pela quarta vez. A diferença é que a criança é sua neta e não filha. Mesmo com idade fora da recomendada para uma gravidez, Eunice aceitou emprestar sua barriga para a filha Talita Cristina Andrade, 32, que fez uma cirurgia para retirada do útero e não pode engravidar. A jovem, que é esteticista, não detalha as razões da operação. A bebê nasceu ontem com 2,285 quilos e 45 centímetros e ganhou o nome de Alice. Avó e neta passam bem. Talita e o marido, o corretor de seguros Guido Damiano, 41, estão extremamente emocionados. Riem e choram a cada entrevista.

A francana Talita e o italiano Guido estão casados há sete anos. A ideia de pedir para a mãe gerar seu filho surgiu depois de assistir a uma reportagem de uma senhora de 50 anos, brasileira, que havia gerado o próprio neto. A jovem começou a pesquisar sobre o assunto e consultou especialistas. Fez o pedido para a mãe e esperou que Eunice pensasse durante um ano até aceitar a proposta. A bebê nasceu depois de dois anos de tentativas pelo método de fertilização in vitro. Na primeira vez, não tiveram sucesso. Na segunda, a avó engravidou de gêmeos, mas perdeu as crianças no segundo mês de gestação. A gravidez de Alice foi a terceira tentativa. “Não tenho o útero, mas possuo os ovários e foi possível fecundar o óvulo e espermatozóide e implantar o embrião no útero da minha mãe”, disse Talita.

A gravidez foi acompanhada pelo ginecologista e obstetra Fernando Gomes e uma equipe multidisciplinar. “A gravidez foi tranquila. Acompanhamos de perto porque qualquer gestação acima dos 40 anos apresenta maior risco. Normalmente o bebê nasce entre a 38ª e 42ª semanas, mas dona Eunice preferiu antecipar o parto, o que pôde ser feito sem prejuízos”, disse o médico.
A cesariana foi realizada em Ribeirão Preto na manhã de ontem. Talita acompanhou a mãe na sala de parto e assistiu ao nascimento da filha. “Não tem emoção maior. É muito forte. Ela é linda. Estamos muito felizes”, disse ela, que acha que a filha tem seus traços. A pequena Alice tem o privilégio de ser amamentada em dose dupla: pela avó e pela mãe. O estímulo natural da recém-nascida nos seios, associado a um medicamento receitado pelo médico, permitiram que a mãe biológica produzisse leite e vivesse mais essa emoção, já no primeiro dia de vida da filha. “Consegui amamentar minha filha. Por incrível que pareça, produzi leite antes do remédio e só tomei medicação para fortalecer o leite. Não tenho palavras para explicar a sensação desse momento de amamentar. Não tenho como agradecer tudo isso. Minha mãe me deu a vida duas vezes, para mim e para minha filha”.

Talita é esteticista e mora com o marido na Itália. No primeiro trimestre da gravidez, a jovem ficou em Franca e depois retornou para o país onde vive. Os pais acompanharam o crescimento da barriga de dona Eunice pela internet. Há um mês a jovem e o marido retornaram para o Brasil para esperar o momento de conhecer o rostinho da filha. “Queremos curtir nossa filha. Estamos muito felizes”, disse Guido. O médico não informou a data da alta.