A qualidade de vida do Interior ainda é indiscutível, comparando-se com o agito das metrópoles. No caso paulista, mais ainda, especialmente para quem utiliza como parâmetro a caótica e congestionada capital.Só que o famoso ‘ar puro’ do Interior vai se tornando, cada vez mais, algo do passado.
Esta semana, a Tribuna Impressa publicou que o ar respirado em Araraquara está ruim e fora dos padrões considerados aceitáveis pela Organização Mundial de Saúde OMS). No dia 13, para citar um exemplo, a umidade do ar chegou a 12%, às 15 horas, considerado estado de emergência pela OMS.
Isso pode não surpreender quem vive e percorre o Interior Paulista nos períodos de estiagem. Em função das queimadas, a situação se torna grave do ponto de vista da saúde pública. A maior surpresa vem a seguir. Apesar dos dados registrados, a situação do ar em Araraquara naquele momento foi considerada “normal” pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). É que, informa o jornal, os índices de concentração de poluentes usados para avaliar a qualidade do ar no Estado não são atualizados há 20 anos e estão na contramão do que é recomendado pelo organismo internacional. Há, digamos, uma divergência de critérios.
A reportagem questiona os parâmetros utilizados para se decretar um alerta em função do nível de poluição elevado. A OMS considera 50 o índice limite de micropartículas que podem ser absorvidas pelo organismo humano. Para a Cetesb, a tolerância é o triplo: 150. O mesmo ocorre com o ozônio (O3), gás altamente tóxico e cancerígeno. A tolerância máxima no Estado, atualmente, é de 160, enquanto a OMS considera 100 como limite. O ar é considerado regular ou bom ao possuir baixas concentrações de “partículas inaláveis” (poeira), além de monóxido de carbono e dióxidos de nitrogênio e enxofre. Isso está longe de acontecer em certos períodos do ano. Entre os dias 27 de agosto e 13 de setembro, período mais crítico de baixa umidade do ar, Araraquara ficou por até cinco horas, ao dia, com ozônio acima de 100, tendo picos que chegaram a 136 partículas.
SEM BARULHO
A poluição sonora foi tema da coluna passada (“Quando o som agride”). A cidade de Penápolis também abriu frente contra o barulho. Segundo a Folha da Região, pelo menos sete veículos foram apreendidos, por causa de excessos. O juiz corregedor da Polícia Judiciária do município deu ordem para intensificar a fiscalização. Ele percorre pessoalmente as ruas da cidade. Em Araçatuba, um bar foi fechado em operação de combate ao barulho. Fiscais do Departamento de Posturas e Obras da Prefeitura, policiais militares e guardas municipais flagraram o estabelecimento com o volume do som acima do permitido por lei e com irregularidades no alvará de funcionamento. São duas boas notícias. Quando as autoridades apontam o caminho da lei, a sociedade fica mais tranquila.
INTERNET
O risco oferecido pelo mau uso da internet é outro tema abordado com frequencia. nesta coluna. Esta semana, duas notícias reforçam a necessidade de vigilância permanente e de debater mais o assunto na sociedade. O jornal O Vale informa que a Polícia Civil de Taubaté procura por homem acusado de estuprar duas adolescentes, de 12 e 14 anos. As meninas teriam programado um encontro por meio do bate-papo MSN, no centro da cidade, e foram surpreendidas. E o Diário do Grande ABC informa que a cura de doenças crônicas, impotência sexual e obesidade, entre outros tratamentos, é oferecida livremente em páginas na internet. O jornal levantou dezenas de produtos que prometem fazer o usuário perder peso dormindo e até combater o câncer de próstata. Segundo especialistas, as promessas são todas ilusórias e não existe comprovação científica para essas terapias não convencionais. Mas, em todos os sites havia sempre depoimentos de clientes anônimos e frases publicitárias que garantiam a eficácia dos respectivos tratamentos. Em ambas as situações, a culpa não pode ser atribuída ao avanço da tecnologia. A internet veio para facilitar, aproximar, multiplicar. Como qualquer outra invenção da humanidade, há os que a utilizam para o bem e outros para o mal. Os casos relatados servem de alerta para jovens, pais, autoridades, educadores e internautas de modo geral.
MOTOS
Por imprudência, motociclistas colocam a vida em risco todos os dias nas ruas da maioria de nossas cidades. Em São José dos Campos, o jornal O Vale mostrou um exemplo deste drama urbano: uma moto desrespeitou uma parada obrigatória e colidiu com um carro – e o condutor foi levado ao Hospital Municipal com ferimentos graves nas pernas, braços e rosto. Este não foi um caso isolado, alerta o jornal. No primeiro semestre, acidentes como esse mataram 12 motociclistas — a maioria com idade entre 19 e 39 anos. Apesar de serem a minoria na frota, eles representam 40% dos casos de morte no trânsito da cidade que teve um aumento de 35% se comparado com o mesmo período do ano passado.
Em Rio Preto, o Diário da Região informa que os gastos do Hospital de Base com o atendimento de vítimas médias – caso de fratura de membros sem complicações – e graves, como traumatismo craniano, envolvidas em acidentes de trânsito, chegam a R$ 700 mil por mês. O valor foi levantado pelo jornal com base na quantidade de atendimentos mensais do setor de trauma do hospital. O investimento com uma vítima média gira em torno de R$ 4,5 mil, enquanto o tratamento de um ferido grave não sai por menos de R$ 9,2 mil.
Wilson Marini
wmarini@apj.inf.br