Reportagem de Barros Filho e Daniel Rodrigues, da Redação
Nem mesmo os investimentos para melhorar a segurança no trânsito, com aquisição de radares, sinalização de solo, placas indicando limite de velocidade e recapeamento das vias, foram suficientes para diminuir o número de acidentes e de mortes nas ruas, avenidas e rodovias vicinais de Franca. Entre janeiro e setembro de 2009, foram registrados 2.992 acidentes. Até o dia de 19 de setembro deste ano, foram 4.084. As mortes também cresceram. Em 2010, o trânsito francano já havia matado 29 pessoas. Nos 12 meses de 2009, 25 pessoas perderam a vida.
Os dados são da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo. Segundo o levantamento, nesse período compreendido entre janeiro e 24 de setembro de 2010, o número de mortes no trânsito do perímetro urbano e vicinais já superou o número de 2009 em 16%.
As ocorrências relacionadas no levantamento são apenas de desastres com mortes nos locais dos acidentes ou durante a elaboração do boletim na área de jurisdição da Polícia Militar. Nessa área estão ruas e avenidas urbanas, além de rodovias vicinais como Tancredo Neves, que liga Franca a Claraval, João Traficante, que liga ao município de Ibiraci (MG) e Nelson Nogueira, a conhecida via Fundão, entre Franca e Ribeirão Corrente.
De acordo com as estatísticas, o pico de mortes no trânsito francano foi registrado no mês de maio, com seis acidentes com vítimas fatais. Setembro, que ainda não terminou, já se igualou a fevereiro, contabilizando cinco mortes. O responsável pelo policiamento de trânsito da Polícia Militar, capitão Alexandre Wellington de Souza, atribui o aumento no número de mortes ao crescimento da frota de veículos da cidade. “Nós tivemos um crescimento muito grande na venda de veículos automotores. Toda essa frota está circulando, nos mesmos espaços em que circulava toda frota de cinco anos atrás. Isso cria logicamente um risco adicional”.
Outro fator atribuído pelo capitão para o aumento dos acidentes com mortes está relacionado diretamente à irresponsabilidade do motorista francano. Pelas estatísticas, assim que passou a vigorar a Lei Seca ocorreu um decréscimo nas infrações de trânsito, mas depois, segundo o comandante do trânsito, os condutores deixaram de temer a nova legislação. “Depois que a lei caiu dentro da normalidade, vamos assim dizer, as pessoas acabaram se descuidando e voltaram a cometer algumas infrações que antes elas se resguardavam em cometer. Precisamos efetivamente criar uma campanha de conscientização”, disse.
Para o responsável pela Divisão de Trânsito da Prefeitura, o secretário de Segurança, Sérgio Buranelli, o número de acidentes com vítimas fatais preocupa. Buranelli afirmou que inúmeros investimentos foram feitos no trânsito, mas mesmo assim, motoristas continuam desrespeitando as leis e causando mortes. “O que eu peço é para que motoristas de Franca mudem de comportamento. Dentro de Franca não pode andar acima de 60 quilômetros por hora. Estaremos nos próximos dias fazendo uma campanha para tentar mudar este tipo de comportamento”.