02 de abril de 2026

Nosso lar


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O filme Nosso Lar, baseado no livro de mesmo nome de autoria do espírito André Luiz, psicografia de Chico Xavier, já se firma como sucesso de bilheteria. A pré-estreia em Franca foi promovida pelo Idefran - Instituto de Divulgação Espírita de Franca nos dias 28 e 29 de agosto, lotando literalmente as salas do Cine Franca Shopping, o que, de resto, continua ocorrendo na exibição normal.
O livro que lhe deu origem fez-se best seller a atender a ânsia e a curiosidade de espíritas e não espíritas. Em recente pesquisa, realizada pela distribuidora Candeia, foi considerado o livro espírita mais importante do século XX. Para quem não sabe, Nosso Lar é o primeiro de uma série de 16 livros de autoria espiritual de André Luiz pela psicografia de Francisco Cândido Xavier, sendo alguns deles em parceria psicográfica com Waldo Vieira. Editado pela primeira vez em 1944, em julho de 2010 teve sua 61ª edição. Foram vendidos 1,8 milhões de exemplares. Na obra romanceada, André Luiz narra as suas amargas experiências nos seus primeiros anos de vida no plano espiritual. Vagou por cerca de oito anos em ambiente sombrio até que veio a ser socorrido e levado para uma colônia espiritual cujo nome titulou a sua primeira produção literária na condição de espírito.
Ali, após receber o necessário tratamento, realiza trabalho de reportagem, oferecendo aos encarnados relato minucioso da vida no Além. Por ele ficamos sabendo que a colônia é uma cidade espiritual de transição, situada no umbral superior, fora fundada por espíritos de portugueses ilustres no século XVI, mais ou menos na região espacial situada sobre a cidade do Rio de Janeiro.
A narrativa de André Luiz, todavia, não é novidade, vez que outros autores antes dele já haviam falado sobre cidades espirituais. Nosso Mestre Jesus dissera: ‘Há muitas moradas na Casa do Pai’. Moradas materiais e espirituais. Também relatos de Dante Alighieri, na sua Divina Comédia, falam das regiões retratadas por André Luiz. O sueco Swedemborg, famoso pela vasta cultura e sensibilidade de que se dotara, assim como o reverendo Dalle Olwen, falou das colônias e da vida no Mundo Maior. Contudo, é nos relatos de André Luiz que vamos encontrar um detalhamento da situação do espírito no pós-morte. É-nos, todavia, natural na realidade doutrinária espírita, que a vida continue. Aliás, é a mesma vida que se prolonga, aí, em nova dimensão, em vibração mais sutil.
A cidade Nosso Lar, como um modelo a ser seguido, no que respeita à organização social, política e econômica a atender as necessidades de seus habitantes segundo os níveis de sua qualificação moral e intelectual, possui vários departamentos. É administrada por um governador e setenta e dois ministros se encarregam de cuidar de todas as atividades que visam ao aprimoramento moral de quantos a habitam. Não é, porém, a única colônia do mundo espiritual. Há número infinito delas no Universo ilimitado, muitas situadas sobre o nosso vasto país, acolhendo-nos segundo a lei de afinidade, da mesma forma que sobre as outras regiões do planeta colônias há que acolhem os que lhes são afins.
Finalmente, recordemos que nem todos que desencarnam vão para colônias espirituais mais confortáveis. Os que se comprazem na maldade, por exemplo, são atraídos, pelo princípio da afinidade, para regiões de dor e sofrimentos pungentes. Mas, não nos esqueçamos que a misericórdia divina estabeleceu que somos todos perfectíveis, destinados à pureza suprema - não absoluta, porque esta é de Deus.
Felipe Salomão
Diretor do IDEFRAN - Instituto de Divulgação Espírita de Franca