08 de julho de 2026

Quem sabe..., Neymar?


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O jovem Neymar, atleta do Santos FC, tornou-se personagem principal de meios de comunicação de todas as partes do mundo esta semana, não por causa do excelente futebol que joga e sim, pelo poder que jogaram em suas costas e que nem advinhava que possuia.

Ainda inexperiente quanto à dureza da vida, o menino da Vila viu-se de uma hora para outra recompensado com dinheiros e fama capazes de fazer engasgar até políticos experientes. Engasgou-se. Deus, na terra, como o fizeram acreditar, fez a experiência definitiva: pisou em companheiros de equipe – exatamente os que carregam o piano para que ele brilhe – e quebrou a cadeia de comando: mandou seu chefe, comandante, técnico, um pouco pai e amigo, para a ponte que partiu.

Fez como faria qualquer jovem que se julga dono do mundo: explodiu, simplesmente. Não pensou em consequências porque nunca lhe impuseram limites. Recuperem suas imagens de jogos, de concentrações, de ocasiões em que deu opiniões sobre quaisquer assuntos: a vida é um riso só. E rir, é o que importa. Neymar é o típico menino que sai do nada e se torna tudo sem estrutura, sem experiência, sem escola adequada, baseado apenas no talento. Certamente o espelho retrovisor de seu carro último tipo serve apenas para que ele penteie o cabelo moderno, mas não para ver se vem alguém atrás.

Estou bravo sim. Sei que torcedores santistas discordam do que penso, mas apesar de bravo, tentarei amenizar: a culpa por ter brigado com João Marcos, jogador do Ceará, não foi de Neymar. Também não foi dele a culpa por ter xingado Edu Dracena, capitão de sua equipe e nem Dorival Júnior, seu treinador, a quem deve, aliás, a ação efetiva e corajosa de ter acreditado nele e o colocado em campo para valer. Também não é de Neymar a culpa de ter alcançado com seu bom futebol, a dispensa de Dorival, que ousou querer fazer o menino entender que o mundo é duro; que quem erra tem que pagar e não ficar impune; que comando, hierarquia e respeito não existem para serem discutidos ou transformados em pó. Existem porque sem organização, o mundo não funciona.

A culpa é da direção do clube. Neymar é patrimônio valioso e precisa estar em campo, valorizando-se para a venda que mais dia menos dias – e que seja em mais dias, já que a dinheirama cresce em escala geométrica – acontecerá. Dorival, o técnico que botou ele e os outros meninos em campo; conquistou campeonatos, classificou a equipe para torneiros importantes tornou-se “cego em tiroteio”, mero penduricalho. Foi embora porque o Santos de hoje endeusa o erro em detrimento do acerto.

Então, apesar de tudo, não é de Neymar que temos que falar. Torço, de verdade, para que papai, mamãe e aqueles que realmente gostam do moleque, para que consigam freá-lo. Descabeceado será apenas um arremedo do que poderia vir a ser. O que temos que pensar, e pensar direito, fortemente, é sobre exemplos bons, capazes de nortear cópia e multiplicação, muita multiplicação. Basta de endeusar os que zombam de quem trabalha duramente, de quem respeita regras e normas, dos cidadãos honestos.

O cenário que estão construindo para Neymar reinar – e o menino ainda não sabe que está sendo usado – é o da impunidade. Tomara que todos os outros talentosos meninos brasileiros não pensem que este País terá, para sempre, gente que autoriza a desordem, a quebra de valores e de comandos e que quer se locupletar de qualquer forma. Pelé, o Neymar menino de seu tempo, só se tornou Pelé do Mundo porque respeitou a tudo e a todos. Seus súditos estão órfãos. Quem sabe... Neymar?


PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR
Ao menino autorizado a continuar sendo exatamente como é, que Dorival Júnior lhe resistirá?


Luiz Neto
Jornalista, editor de Opinião do Comércio - luizneto@comerciodafranca.com.br