08 de julho de 2026

Paisagem de luz


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Segundo Tom Chung, médico neurocirurgião, autor de obras no âmbito da neurolinguística, as civilizações passaram e ainda passam por ondas evolutivas culturais que estão se acelerando cada vez mais.

A primeira onda cultural caracterizou-se pelo desenvolvimento da sociedade agrícola e durou aproximadamente três mil anos. Nela nada mudava durante gerações. Netos e avós faziam as mesmas coisas e tinham os mesmos hábitos. A segunda onda foi detonada pela revolução industrial, há mais de século e meio e durou 120 anos. O foco de atenção se concentrava no hardware, em equipamentos e máquinas. A terceira onda caracterizou-se pela evolução da sociedade informatizada e durou apenas trinta anos foi a era dos computadores buscando e armazenando um vasto volume de informações. O foco de atenção recaía em processos inteligentes e produtivos, o software. Já estamos vivendo a quarta onda cultural, a onda da produtividade. Neste nível social buscam-se ganhos e economias em energia. Afirma Chung: “Biotecnologia, robótica, inteligência artificial e supercondutores são meios prioritários da busca de uma realização humana maior com menos esforço. O critério maior aqui é a otimização dos recursos e energias. O foco da ação se concentra sobre o humanware, isto é, na inteligência e no potencial humano.”

Percebe o leitor? O processo da evolução da humanidade deu-se de fora para dentro, isto é, da matéria para o pensamento. Não tínhamos asas: inventou-se o avião; não tínhamos olhos capazes de enxergar as maravilhas do espaço ou os microorganismos: inventaram-se as lentes; não tínhamos condições físicas para suportar as intempéries: fabricaram-se os casacos, ou seja, instrumentos que eram e são extensões do corpo humano. Cuidou-se, ao longo dos séculos, apesar de toda a filosofia da Antiguidade e das religiões monoteístas posteriores, primeiro das necessidades físicas. Burilar o grosseiro, depois o sutil.

Por isso, arriscamos empregar o nome de Intuitiva para a quinta onda cultural, que já começa a dar os primeiros sinais, porquanto esgotamos as fontes “de fora para dentro”. A onda da Intuição... Não se está falando mais das competências externas, mas das intrapessoais, uma mente mais capacitada e preparada para tomar decisões diferenciadas e rápidas num mundo onde a velocidade supera o tempo necessário para obter os dados e os controles.

Muito bem. Quando pensávamos que a evolução permitira então a entrada das manifestações intuitivas num campo de prevalência material, e apenas isto, o universo mais uma vez conspira: surge a noética (do grego nous, “mente”), disciplina que estuda os fenômenos subjetivos da consciência, da mente, do espírito e da vida a partir do ponto de vista da ciência. Como conceito filosófico, em linhas gerais define a dimensão espiritual do homem a prevalência do espírito sobre a matéria, esta finita ante a perenidade das coisas espirituais.

Mentes inteligentes e produtivas do Brasil contemporâneo têm bebido dessa fonte. Nunca, em sua curta história de 510 anos, falou-se tanto de espiritualidade como agora. É a mídia, os jornais televisivos, livros que se avolumam a centenas de milhares, programas novelísticos, produções cinematográficas. Como editor, venho acompanhando a demanda pela edição de obras com fundamento na noética e outros tantos kardecistas, numa proporção avantajada quando se compara à edição da ficção ou da ciência.

Não pude deixar de exercitar todo esse desenrolar de pensamentos após ler os originais e editar um livro psicografado pelo cidadão francano Inocêncio Agostinho Teixeira Baptista Pinheiro, pelo espírito que se autointitula Maria de Deus.

Paisagem de luz é obra do momento, é lavoura da quinta onda cultural, fruto da onda intuitiva, e é francano, o que nos orgulha. Mais que localizá-lo no tempo e no espaço, melhor andaríamos se focalizássemos as suas mensagens, as lições morais, a palavra de conforto para quem sofre as dores da alma e os suplícios da matéria, na precisa necessidade da dimensão espiritual do homem e na força de superação que encontramos na prece e na caridade.

São 66 cartas selecionadas, psicografadas entre 6 de fevereiro de 2007 a 24 de novembro de 2009, no centro espírita “Sebastiana Barbosa Ferreira”, em Franca. Traduzem um sentimento de compreensão das ansiedades do homem moderno e de como ele pode tirar proveito dessa situação para sua evolução espiritual. Nada passa despercebido e nem estamos sozinhos. E o notável reside no perfil de contemporaneidade das mensagens e de como, a partir daí, o espírito de Maria de Deus, tendo por instrumento as mãos do médium Inocêncio Pereira, consola, reconforta, anima, redireciona, dá sentido à queda e perdas e sublima o levantar-se e ir adiante, rumo à luz da espiritualidade maior.

Eis uma mensagem colhida ao acaso: “Hoje, recolhe-te um pouco na tua lida diária. Volve os teus olhos para o futuro e esquece um tanto as imagens do teu passado. Se este não faz de ti merecedor das glórias divinas, aquele pode abrir para ti nova senda de progresso e de amor.”

Bravo, não é mesmo? Seguir sempre adiante sem contar o pretérito, ou quando muito, aproveitar o conhecimento dos erros e acertos aí perpetuados para as opções de vida presente e futura.

“Repara que ao abraço do terceiro milênio ainda podes e tens o direito de refletir e de construir novos passos.”

Indiretamente, o espírito de Maria de Deus faz-nos, por suas cartas, refletir sobre o mal do século passado, que ainda perdura neste presente, afligindo a humanidade a ansiedade e a depressão. “Ancora-te no amor e na fraternidade e o Pai Eterno vai de ajudar (...) Ora ao pai e perdoa a ti e aos teus inimigos.”

A Editora Unifran entrega esta obra ao público que se interessa pelas coisas do espírito. É obra séria, de graça providencial e de irrecusável utilidade para o nosso aprimoramento. Seu lançamento ocorrerá no próximo dia 28 de setembro, às 19h30, no centro espírita “Sebastiana Barbosa Ferreira”, na Rua Padre Conrado 1.160, fundos, Vila Nova.