09 de julho de 2026

Negligência ainda causa mortes


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A morte de 27 pessoas desde janeiro de 2010 — vítimas de acidente de trânsito no perímetro urbano de Franca (que engloba ainda três rodovias vicinais) — é um claro reflexo da inépcia, da negligência e da falta de atenção do motorista e do pedestre francanos. O número (que supera as 25 mortes registradas em todo o ano de 2009) não conta as vítimas fatais em acidentes ocorridos nas rodovias estaduais, o que deve aumentar ainda mais essa triste lista. Como já tivemos oportunidade de alertar, o motorista francano, em grande parte, dirige sem muitas preocupações com o bem estar dos que o cercam e de si próprio, infringindo sem piedade as mais variadas leis do trânsito. O mesmo se aplica ao pedestre, que parece não mensurar o perigo a que está exposto ao transitar nas ruas da cidade.

O motorista francano não utiliza a seta (muita gente acha que o acessório, importantíssimo, existe apenas como ‘enfeite’), dirige sem cinto de segurança (permitindo aos familiares dispensarem o item de segurança da mesma forma), ultrapassa a velocidade mínima permitida, faz conversões proibidas, entra na contramão e ainda pratica uma série de irregularidades que passam pela falta de condições do veículo ou de seus componentes, como pneus, lataria e até faróis. Embora todos os motoristas francanos (e incluem-se aí também os motociclistas) façam um curso teórico e passem por uma prova bastante difícil, tenham aulas de direção e enfrentem um exame rigoroso, no final prevalece a negligência.

O mesmo pode-se dizer dos pedestres e dos ciclistas, que ignoram leis de trânsito, o significado das placas indicativas e até a forma correta de se atravessar as ruas. Muitos desconhecem (ou ignoram) a direção do fluxo de trânsito e correm o risco de serem atropelados por causa disso. O que se depreende é que predomina a falta de orientação. As escolas deveriam ter, desde o ensino fundamental até o médio, uma disciplina que ensinasse aos alunos como se portar, o que se pode e o que não se pode fazer não apenas andando nas ruas mas também na direção de uma bicicleta, de um carro ou de uma moto. Percebe-se que somente as aulas das auto-escolas e dos Centros de Formação de Condutores não são suficientes para ensinar alguém a dirigir e a observar a legislação. A maioria dos candidatos a motoristas ou motociclistas precisa aprender do zero, já que não leva nenhum conhecimento a respeito quando se inscreve para conseguir a CNH (Carteira Nacional de Habilitação).

É necessário que trabalhemos para evitar que fatos como os que deixaram mais de duas dezenas de famílias enlutadas neste ano voltem a se repetir em nosso município. E o trabalho começa com a reflexão por parte de todo francano e a tomada de consciência sobre a importância de se respeitar as leis de trânsito. Trânsito também é questão de educação.E colocar isso em prática pode ajudar a salvar vidas.