Movida pelo desejo de justiça, uma dona de casa de 39 anos, não conformada apenas em denunciar o segurança que aliciou sua filha de 14 anos através da internet, resolveu investigá-lo. Ontem, em seu depoimento na DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), ela apresentou provas para incriminar HRR, 23, morador no Jardim Seminário. A mulher acredita que o acusado aliciava adolescentes desde 2007. Uma relação com 15 nomes de supostas vítimas faz parte do material entregue à polícia pela dona de casa. “Investiguei, porque descobri que ele estava fazendo com outras meninas o mesmo que fez com minha filha”, revelou.
A primeira denúncia contra o segurança foi registrada no sábado. Duas estudantes de 14 anos, acompanhadas dos pais, procuraram a polícia. Elas informaram que o acusado se fez passar por garota e as convenceu a se encontrarem com ele em troca de dinheiro. Como não conseguiu ter relações sexuais com as vítimas, o segurança passou a ameaçá-las, dizendo que sabia onde elas estudavam e moravam e que as conversas seriam divulgadas em sites de relacionamentos. As ameaças, segundo as jovens, eram feitas através dos celulares e até de madrugada. As garotas relataram o drama para os pais.
Sábado, o segurança acessou o endereço de uma vizinha e amiga de uma das estudantes. A dona de casa foi avisada e passou a conversar com o rapaz, fazendo-se passar por uma adolescente de 13 anos. Ele marcou um encontro para as 16h30, próximo a uma escola no Jardim América. A mulher, que tinha uma foto do suspeito, aceitou. Junto com familiares, ela o deteve até a chegada de policiais. O segurança estava com dois celulares. A mãe ligou para o número de onde partiam as ameaças e um dos aparelhos do segurança tocou. No Plantão Policial, o suspeito confirmou que saiu com uma das garotas. Ele foi liberado depois de ter o computador de sua casa e os celulares com imagens de meninas seminuas e mensagens pornográficas apreendidos.
O caso foi encaminhado à DDM, que ontem deu início oficial às investigações com os depoimentos das estudantes e das mães. A dona de casa, durante o interrogatório, entregou provas contra o acusado. “Eu não pensei só em mim como mãe, mas nas outras mães, porque com certeza, outras filhas não tiveram a mesma confiança em contar para os pais, como a minha filha teve”. Ela revelou que usou a mesma ferramenta que o acusado usava nos aliciamentos para realizar a sua investigação por conta própria: o computador. “Através da internet descobri o nome dele, localizei uma foto, descobri outras vítimas e que ele ainda está agindo. Agora espero que estas provas sirvam para que ele vá para a cadeia. Não é justo que eu e minha filha fiquemos presas em casa, enquanto ele anda livre e solto pelas ruas. Queremos justiça”, desabafou a mãe.