O inverno em Franca este ano foi o mais seco desde 2000, quando a Defesa Civil do Estado de São Paulo começou a monitorar o índice de chuvas na cidade. Em 2010, os três meses da estação mais seca do ano registraram apenas 13 milímetros de chuva - 82% a menos que a média histórica para o período, que é de 72 milímetros. Com a primavera, que começou ontem, a expectativa é que as chuvas voltem a cair. Porém, a meteorologia prevê que as precipitações voltem aos poucos e atinjam níveis normais somente em novembro.
Este ano, a seca foi pior em agosto, que não teve nenhum dia de chuva em Franca. A falta de precipitação no mês havia sido registrada apenas em 2004. Naquele ano, porém, o inverno foi um dos mais chuvosos da década, com muitas chuvas em junho e julho - 63,2 mm. De acordo com a Defesa Civil, em junho de 2010 choveu 10 mm e em julho, 3 mm. A média histórica para os meses são de 21,9 mm e 26,7 mm, respectivamente.
Os fatores que contribuíram para a estiagem prolongada em Franca vão desde o aquecimento global até a influência do fenômeno La Niña. “Não sabemos qual desses fenômenos é o mais marcante. Mas juntos, eles colaboraram para que o inverno tenha sido muito seco, com variabilidade na temperatura e principalmente no índice pluviométrico”,disse a meteorologista do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), Neide de Oliveira.
Segundo ela, os meses de setembro e outubro seguem secos, com chuvas esporádicas, mas a tendência é que a situação comece a se normalizar em novembro, com o aumento de chuvas. Hoje, a mínima prevista para Franca é de 20º C e a máxima deve variar entre 28º e 29º C. “A nebulosidade aumenta à noite com pancadas de chuva, por isso a temperatura começa a cair no período da tarde. A umidade do ar também aumentará e ficará acima de 40%”, disse a meteorologista.
RACIONAMENTO
Foi suspenso na quarta-feira o racionamento de água que vinha sendo adotado pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), em Franca, desde o último sábado. Durante esta semana, 70 mil francanos em média foram atingidos por dia pelo racionamento.
De acordo com o gerente distrital da empresa, Rui Engrácia Garcia Caluz, existem 26 reservatórios na cidade, com total de 37,6 mil metros cúbicos de água. Um desses reservatórios estava com apenas 20% de sua capacidade preenchida na quarta-feira e atingiu 70% na quinta. “A perspectiva é caminhar para uma normalidade, porque o consumo não está desenfreado como na semana passada, está bem equilibrado (com a produção)”, disse Caluz que, porém, não descarta novos racionamentos hoje e amanhã.