Falta de qualificação profissional, dificuldades de acessibilidade nas empresas e preferência por receber benefício do governo são os principais fatores que têm afastado os deficientes do mercado de trabalho em Franca. Por lei, toda empresa com cem funcionários ou mais deve reservar uma porcentagem dos cargos, entre 2% e 5%, para empregar pessoas deficientes, mas os empresários têm encontrado empecilhos para atingir as cotas.
O PAT (Posto de Atendimento ao Trabalhador) intermedeia esse processo e atesta dificuldades na colocação desse público no mercado. De janeiro a setembro de 2010, empresas da cidade contataram o posto e disponibilizaram 337 vagas pelo Padef (Programa de Apoio à Pessoa com Deficiência). O PAT recebeu 44 inscrições de deficientes físicos, visuais, auditivos e mentais para concorrer às vagas. Ao cruzar o perfil dos candidatos com o exigido pelos empregadores, o posto encontrou 19 pessoas aptas a concorrer às vagas abertas e as encaminhou para as entrevistas de trabalho, mas apenas três conseguiram o emprego. Para Maurino Malta, supervisor do PAT em Franca, um conjunto de fatores tem emperrado as contratações. “Foi um número baixíssimo. É possível que seja dificultoso para as pessoas se qualificarem para o mercado e atender a determinadas exigências das empresas. É preciso rever isso”.
A jovem Sheila Gabriel Granado, 24, foi uma das que se inscreveram no Padef porque quer voltar a trabalhar. Ela está desempregada desde que deixou o cargo de auxiliar de escritório numa fábrica de calçados para cursar Educação Física. Depois da inscrição no PAT, fez duas entrevistas, mas não conseguiu a vaga. “Quero voltar a trabalhar para ter meu salário e ser mais independente. Mas os empregos são por período integral, até seis horas da tarde, e eu dependo da van para ir para faculdade que passa na minha casa cinco e meia, então não dá tempo”. Ela disse que já perdeu outras oportunidades de trabalho porque as empresas não possuíam rampas e ela depende de muletas para andar, porque nasceu com uma lesão na medula que comprometeu os movimentos das pernas.
Para a assistente social da Adefi (Associação dos Deficientes Físicos de Franca), Marcela Inocêncio, a falta de acessibilidade e de qualificação profissional estão entre os principais empecilhos para a conquista de um emprego pelos usuários da entidade. “Está bem complicado conseguir a colocação no mercado de trabalho. A inclusão se tornou mais divulgada apenas nos últimos anos e as adequações físicas e preparação das pessoas ainda estão sendo feitas”.
BENEFÍCIO
O promotor de Defesa das Pessoas Portadoras de Necessidades Especiais, Fernando de Andrade Martins, e o subdelegado do Ministério do Trabalho de Franca, Jamil Leonardi, elencam outro fator para afastar os deficientes do trabalho: o recebimento do auxílio pelo governo federal - BPC (Benefício de Progressão Continuada). “Os deficientes têm direito a receber um salário do governo federal e se forem registrados, o benefício é suspenso. Muitos não querem trabalhar, preferem ficar em casa recebendo o benefício e fazendo algum trabalho informal”, disse Jamil.