Sempre Deus nos surpreende com a sua Palavra que é firme, clara e eficaz. Neste domingo não é diferente. Jesus dirige-se aos discípulos e os exorta a fazerem tudo o que é possível para a salvação: é preciso ter esperteza para não se envolver com o que não é santo.
A salvação oferecida por Cristo é uma realidade tão grandiosa que merece todo o empenho humano para garanti-la. Um dos segredos é não apegar-se às coisas passageiras. Os textos litúrgicos deste domingo são os seguintes: Profeta Amós 8; 1ª Carta a Timóteo 2 e o Evangelho narrado por Lucas 16.
A primeira leitura traz a profecia de Amós: um profeta com palavras certeiras, um homem simples, rude, mas sábio. Na sua época havia estabilidade política e prosperidade econômica, entretanto, a riqueza não estava bem distribuída. Amós vive 750 anos antes de Cristo. A prosperidade que vive Israel produz respeito pela religião. Todos querem louvar o Senhor e agradecer ao rei (Jeroboão II), por tamanha prosperidade. Amós levanta a sua voz dizendo que a prosperidade, o bem-estar, o luxo e as riquezas existem só para alguns. Os pobres da terra são explorados e comete-se todo tipo de opressão contra os mais fracos. Amós acusa os comerciantes do trigo e outros produtos que as lavouras dos simples produzem e revendem a outros, ainda mais pobres, por preços altos. Esses comerciantes detestam as festas, o sábado e a lua nova, porque nesses dias não se realizam negócios. O profeta fala algo sério: diante das injustiças cometidas pelos malvados, diante dos pobres oprimidos que gritam de dor, o Senhor fica indignado e faz um juramento que faz tremer de medo: “Não esquecerei jamais nenhum dos teus atos!”. Ainda hoje existem situações parecidas com aquelas denunciadas por Amós.
Na segunda leitura o apóstolo afirma que a comunidade cristã é uma comunidade de oração. Ela deve ser universal: rezar, não só pelos problemas e necessidades pessoais, para tudo e por todos. Indica a rezar pelos que nos governam: naquela época os governantes eram totalmente contra os cristãos. Quando assim rezamos, revelamos possuir um coração generoso que não aceita fazer distinções fundadas na raça, na origem, na nacionalidade, na posição social, na inteligência, na riqueza.
No evangelho Jesus fala a parábola do administrador que é denunciado junto ao patrão como incompetente, porque dissipa os seus bens. Ele é despedido e ao perceber sua nova situação, sendo esperto, convoca todos que devem ao seu patrão e dá-lhes um grande desconto, para que, sendo seus amigos, possam ajudá-lo nas horas difíceis. Ele se porta como administrador esperto! A explicação é a seguinte: os administradores deviam entregar ao empresário uma determinada quantia; o que conseguiam a mais, e muitas vezes tratava-se de grandes quantidades, ficava com eles. O que fez o administrador da parábola? Ao invés de se transformar em agiota dos devedores, renunciou ao que lhe cabia nos negócios. O administrador renunciou ao dinheiro para conquistar amigos. Por meio desta parábola Jesus explica que a única maneira “esperta” de utilizar os bens deste mundo é colocando-os a serviço dos outros, para fazer deles nossos amigos. Jesus ensina como conquistar a “verdadeira riqueza”. Os bens do mundo futuro, o reino de Deus, são chamados de “a verdadeira riqueza”. Estes podem ser conquistados só mediante a renúncia, a exemplo do administrador da parábola, a tudo aquilo que não tem valor. A igreja deve ser escola de comunhão, lugar onde as pessoas alimentam sua esperança e busquem força para orientar sua vida toda para Cristo, único Senhor, como nos pede o Evangelho. Para encerrar, apresento o pensamento de Santo Ambrósio, um bispo dos tempos antigos: “Não devemos considerar como riqueza o que não podemos levar conosco, pois o que somos obrigados a deixar neste mundo não nos pertence, mas é dos outros”.
DEVOTOS DA MÃE RAINHA
Hoje é dia de festa para as famílias que recebem a visita da Mãe Rainha, a Mãe Peregrina de Schoesnstatt, em comemoração aos 60 anos desta campanha no Brasil. A celebração solene será às 17h, no salão paroquial da Nossa Senhora das Graças.
José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br