O delegado José Bernardino Alecrim, titular do 1º Distrito Policial de São Joaquim da Barra, confirmou, com base nos laudos da perícia técnica, que o candidato a deputado federal Tirso de Salles Meirelles (PSDB), 49, deu causa ao acidente que matou três pessoas de uma mesma família. O desastre ocorreu na tarde do dia 19 de junho, no quilômetro 87 da Rodovia Prefeito Fábio Talarico, que liga Franca à divisa com Barretos. Na colisão morreram Jandemir Missias da Silva, 47, sua mulher Elizete Aparecida Silva, 46, e a filha do casal, Izabella Missias da Silva, 12. A família, que residia em Guará, estava em um Fiat Uno 1986. Meirelles dirigia uma camionete Ford Edge 2008.
Peritos do IC (Instituto de Criminalística) de São Joaquim, segundo o delegado, analisaram os vestígios encontrados no local do acidente. Com base nas características, danos, posição e situação em que os veículos ficaram imobilizados, chegaram à conclusão que, “por motivos não evidenciados”, o veículo conduzido pelo político “passou a ocupar parcialmente a faixa de tráfego contrária, onde veio a colidir o terço esquerdo de sua parte frontal com o terço esquerdo da parte frontal do veículo Uno, que trafegava pela mesma rodovia e em sentido contrário”. Em uma linguagem não técnica, segundo as palavras de Bernardino, “pode-se afirmar que Meirelles invadiu a outra faixa e deu causa ao acidente”. O laudo pericial do local foi anexado ao inquérito.
O delegado aguarda somente a carta precatória com as declarações de Meirelles para concluir a fase de investigações e depoimentos e encaminhar o caso à Justiça. A precatória foi enviada, inicialmente, para Franca, mas o político não a respondeu. O titular do 1º DP revelou que foi feito um pedido para que a precatória fosse encaminhada para São Paulo.
Bernardino voltou a reafirmar que Meirelles se recusou a fornecer sangue para exames de dosagem alcoólica. “Ele também não fez bafômetro porque disse que não tinha condições de saúde (no dia do acidente) para se submeter a este tipo de exame”. Sobre uma possível perícia particular solicitada pela defesa de Meirelles, o delegado disse que “o que interessa” é o laudo oficial. “Eventual laudo feito por pessoas leigas ou de quem se diz perito, eu nem junto no inquérito”. A conclusão da perícia técnica não altera a natureza da ocorrência, registrada como homicídio culposo na direção de veículo automotor.
Sem resposta
Tirso Meirelles não foi encontrado para comentar os laudos. Ninguém atendeu as ligações feitas pelo GCN aos telefones registrados em seu nome ou do pai, Fábio de Salles Meirelles, em Franca e em São Paulo. No comitê em Sertãozinho, o telefone também não foi atendido. No escritório político em São Paulo, um atendente que se identificou apenas como Barbosa alegou desco-nhecer a agenda de Tirso. Pouco antes das 18h30 de sábado, Roberto Meirelles, um dos coordenadores da campanha, foi localizado. Ele pediu para retornar a ligação após as 19 horas. No segundo contato, o coordenador disse que um representante de Tirso iria prestar declarações sobre os fatos, o que não ocorreu. Em novo contato, Roberto pediu para aguardar novo retorno, o que não aconteceu até o fechamento desta edição.