A 21ª Ciretran (Circunscrição Regional de Trânsito) de Franca, que tem quase 200 mil veículos cadastrados em seu sistema e atende, em média, mil pessoas por dia, pode entrar em colapso por falta de funcionários. A afirmação foi feita pelo diretor da repartição, o delegado Sidnei Martins de Oliveira, 57. “A Ciretran presta muitos serviços e o número de funcionários não é suficiente. Os pedidos de exonerações crescem. Cinco já saíram e ao longo do tempo vamos perder mais gente. Se o Estado não fizer reposição, a Ciretran corre o risco de entrar em colapso”. Atualmente o órgão conta com dois delegados, uma escrivã, dois agentes policiais, seis servidores cedidos pela Prefeitura Municipal e 31 concursados. Todos os setores, segundo o delegado, “funcionam a contento”, mas os problemas registrados no ano passado podem voltar se não forem contratados novos funcionários. “Hoje, além de repor as vagas dos cinco que saíram, seriam necessários, no mínimo, mais dez novos servidores”.
Apesar da previsão pessimista, o delegado Sidnei Martins se diz um otimista. Quem o vê, não imagina que ele já trabalhou como boia-fria. Nascido na zona rural de São Tomás de Aquino (MG), ele foi obrigado, devido aos poucos recursos, conciliar os estudos com a enxada. Quando tinha 10 anos, a família se mudou para Itirapuã, onde “as coisas melhoraram”. O pai comprou um pequeno sítio, adquiriu um trator e a vida começou a mudar. “Fui um exímio tratorista. Fazia manobras que ninguém mais conseguia. Causava inveja nos outros (tratoristas) por causa da minha habilidade”, falou, sorrindo. Mas esta vida na roça não durou muito. “Eu descobri que a zona rural não era meu caminho e fui prestar um concurso público”.
O primeiro emprego foi como motorista da Unesp de Franca, em 1975. “Abria e fechava a porta do carro para o diretor, viajava toda semana para São Paulo. Era um motorista à moda antiga”. Menos de dois anos depois, passou no concurso para investigador de polícia. “Não tinha a menor noção do que era ser um policial. Fui na ilusão”, lembrou o delegado. Ele conciliou o trabalho com o curso na Faculdade de Direito de Franca. Delegado desde 1991, Sidnei Martins é casado com a professora Aparecida Norberta Pontes de Oliveira, 57, com quem tem dois filhos: Frank Pontes de Oliveira, 28, advogado em Franca, e Adriel Pontes de Oliveira, 27, juiz Federal do Trabalho da 9ª Região do Paraná, em Guarapuava. Os filhos, segundo ele, só lhe dão orgulho. “Eles não precisam mais da mesada do pai (risos). Estão bem encaminhados”.
Desde novembro do ano passado, Sidnei Martins responde pela direção da Ciretran. No mês em que completa um ano à frente da instituição, ele também chega aos 35 anos de serviço público - na Unesp e na polícia. Poderia se aposentar e se dedicar à sua segunda maior paixão depois da família: a pescaria. Mas avisa aos que estão “de olho em seu posto” que deve ficar na ativa por mais dois ou três anos.