Uma pesquisa divulgada na última sexta-feira no Centro de Referência e Treinamento-DST/Aids-SP, órgão da Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo, mostra que a região de Franca tem a maior concentração de incidência de Aids no Estado e, ao mesmo tempo, a pior distribuição de médicos especialistas no tratamento da doença. O estudo inédito é da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) que, no período de 2009/2010, analisou o perfil do médicos paulistas prescritores de antirretrovirais, remédios que combatem a doença.
O levantamento foi feito durante 20 meses pelo pesquisador Mário Scheffer, pós doutorado no Departamento de Medicina Preventiva da faculdade, e avaliou 3.178 profissionais. Entre os tópicos pesquisados estão a conclusão de residência médica, a titularidade de especialista, a qualidade de atendimento prestado, a frequência de capacitação e a jornada exercida pelo médico.
A distribuição regional dos médicos que cuidam de portadores de HIV no Estado também faz parte de um dos tópicos do estudo. Para a análise da distribuição geográfica foram considerados os DRS (Departamentos Regionais de Saúde), utilizando três indicadores: número absoluto de médicos por domicílio, número de médicos por 100 casos de Aids registrados em pessoas com 13 anos ou mais e número de médicos por 100 mil habitantes. “A pesquisa é sobre o perfil do médico prescritor de antirretrovirais e os dados sobre a distribuição deles no Estado é apenas um tópico. A ideia era mostrar onde estão esses médicos”, disse Scheffer.
De modo surpreendente, segundo o pesquisador, a região de Franca mostrou-se como a com maior incidência da doença (23,1 casos por 100 mil habitantes) e também a com pior distribuição de médicos prescritores (0,2 médicos a cada 100 casos de Aids registrados). Os dados do Departamento Regional de Saúde são de 2006. “Onde deveria haver mais médicos, a distribuição é menor se comparado com outras regiões”, disse Scheffer. O estudo não traz números absolutos de médicos por região e nem cita qual a quantidade ideal para cada regional. No Estado, a regional com maior distribuição de profissionais é Presidente Prudente com 2,6 médicos a cada 100 casos da doença. Já Ribeirão Preto tem 1,6.
O secretário municipal de Saúde, Alexandre Ferreira, foi procurado pela reportagem no sábado para informar quantos médicos atendem portadores de HIV em Franca e quantos pacientes estão cadastrados na cidade. Após ao menos cinco ligações em diferentes telefones, não foi encontrado. A assessoria de imprensa da Prefeitura informou que Alexandre Ferreira é o único apto a falar sobre o assunto.