Há um ano os moradores das Ruas João Góes Conrado e José Bartocci, no Bairro São José, tem perdido o sono com o barulho causado por pelo menos 40 cães abrigados por um vizinho aposentado. Além do som ensurdecedor, principalmente a noite, o mau cheiro tem tirado a paciência.
Os animais são criados em um quintal com pouco mais de 30 metros quadrados e além dos cachorros, entulhos, garrafas pet, recipientes plásticos e materiais de construção são depositados no local. Os vizinhos, revoltados com a situação, acionaram a Vigilância Sanitária, a polícia, mas até agora nada foi resolvido.
Com o calor intenso dos últimos os dias, o cheiro dos cachorros fica mais forte e segundo o aposentado Ivan Rodrigues Luperi, que mora na casa que faz fundos com “canil”, o problema piora quando chove. Ivan teve dengue neste ano, que acredita ter sido transmitida por mosquitos existentes na casa vizinha. “Tive dengue em abril e foi a única vez que consegui trazer a Vigilância Sanitária até aqui e nada aconteceu. Isto já tem mais de sete meses”, disse.
O aposentado explicou que o órgão já foi acionado pelo menos três vezes neste ano e na tarde da última quarta-feira, cansado dos problemas, foi a polícia registrar um boletim de ocorrência. “Foi o único recurso, mas até agora não tivemos resposta. Não dá mais, o barulho não tem hora e o cheiro é insuportável. As coisas não podem correr dessa maneira”.
A também vizinha T.S. não quis ser identificada por medo de represálias. Ela diz que desde que sua filha foi reclamar da sujeira, a convivência mudou. “Eles ficaram agressivos, e eu tenho medo. Isso aqui começou a parecer um depósito de lixo, tinha ratos e escorpiões. Tenho criança pequena em casa e ela não pode passar por isso. Eles não aceitam reclamações. Eu queria saber é quando as autoridades vão tomar providências”.
Procurado, o aposentado Waldomiro Barbosa Ferreira, o dono dos cachorros, contou que os animais foram pegos na rua e as novas crias ficaram. A mãe de Waldomiro, é catadora de lixo e acaba pegando os bichos que vê no caminho. “Eles chegam, vão cruzando e ficam por aí. Temos ainda dez recém nascidos dentro de casa, mas minha mãe não gosta de dar e acho que ninguém se interessa”. Questionado sobre a insatisfação dos vizinhos ele se mostrou irritado e irredutível. “Não aguento mais esse povo falando. Eles (os cachorros) não vão sair daqui”.
SOLUÇÃO
Para tentar solucionar o problema dos vizinhos, o chefe da Vigilância Sanitária, Fernando Baldochi, prometeu verificar. “Nós vamos ao local vistoriar e depois vemos se já foi feito algum relatório e dependendo da situação podemos encaminhar ao Ministério Público. Tivemos casos parecidos em que os animais foram retirados dos donos e levados para abrigos. Mas tudo depende da situação, principalmente higiênica, que encontrarmos”.