09 de julho de 2026

‘Eu vou promover uma revolução na educação’


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DIRETO E OBJETIVO - Durante mais de uma hora, o candidato a governador de São Paulo pelo PSB, Paulo Skaf apresentou suas propostas e defendeu uma gestão mais eficiente

O empresário Paulo Skaf, candidato a governador de São Paulo pelo PSB, foi sabatinado pelo GCN Comunicação nesta sexta-feira, 10 de setembro. Skaf não poupou críticas aos serviços públicos e à gestão tucana. Foi muito claro com relação às suas propostas e se autodenominou o candidato da mudança. O candidato quer acabar com a progressão continuada na educação, aumentar em 20% o salário dos professores logo no primeiro ano de mandato, modificar a gestão da saúde pública, centralizar o comando e o controle da segurança pública e ainda devolver parte do valor pago nos pedágios por meio do IPVA. Skaf foi enfático ao criticar a guerra fiscal. Segundo ele, esta situação é uma “realidade do século passado” e o governador “não pode entrar nesta prática”.



PRIMEIRO BLOCO

GCN - Por que o senhor quer ser governador do Estado de São Paulo?
Skaf -
Assim como muitas pessoas, eu vinha reclamando muito dos políticos. Vinha reclamando da falta de eficiência na administração pública, da falta de resultados concretos, da falta de seriedade, de transparência. Um dia até comentei com o presidente Lula sobre isso. O presidente Lula me falou: ‘Skaf, não adianta ficar reclamando. O que você precisa é entrar na política e fazer de forma diferente’. Passados uns meses, o PSB me fez um convite para que eu me filiasse e fosse candidato a governador. Conversei com a minha mulher, com meus filhos, com meus amigos e aceitei o desafio. Entrei na política para buscar eficiência e resultados concretos para as pessoas. O Estado de São Paulo tem um orçamento maior do que o da Argentina, maior do que o de um país. É um estado rico, com um potencial muito grande e em que, lamentavelmente, os serviços deixam muito a desejar, seja a saúde pública, a educação ou a segurança. O que me estimulou muito a entrar na política, a aceitar o desafio de ser candidato a governador foi tentar fazer deste Estado uma referência para o resto do país e para o resto do mundo.

GCN - O senhor construiu uma carreira segura e bem sucedida como empresário, comandando as instituições mais importantes de representação do setor empresarial, como a Fiesp, o Ciesp e o Sebrae. Por que decidiu arriscar disputando uma eleição tão difícil quanto a de governador?
Skaf -
Quando fui candidato a presidente da Fiesp, me lembro que alguém me fez essa pergunta. ‘Skaf, você é um empresário, liderava a cadeia têxtil de confecção de São Paulo e do Brasil. Agora vai ser candidato de oposição na Fiesp? Isto é impossível! A Fiesp é uma entidade tradicionalíssima. Quem tem chance lá é a situação. Não há espaço para uma candidatura de oposição’. E nós surpreendemos. Fui candidato de oposição, fui eleito com 60% dos votos e, depois de três anos de trabalho, fui reeleito com 99,5% dos votos. Pude, como presidente do Sesi e do Senai, promover uma grande revolução na educação, na formação profissional. Então, mais uma vez, é um desafio e eu não tenho medo de desafios. Quanto mais viajo e conheço os problemas deste Estado, mais sinto que é possível fazer diferente. Sinto que posso ajudar.

GCN - O senhor é um típico representante da classe empresarial e, historicamente, no Brasil, não há grandes políticos egressos deste segmento. Entre os presidentes da República, por exemplo, não há empresários. Entre governadores do Estado também não. O senhor sofre com esse estigma?
Skaf -
Estatisticamente, você acaba de me dar uma chance tremenda. Tudo na vida é cíclico, então, eu diria que estatisticamente agora é hora de acontecer. Muitas pessoas lembram o caso do Antônio Ermírio de Moraes. Foi em 1986, faz 24 anos. Quer dizer, há 24 anos era o momento, hoje é outro momento. Hoje é o momento em que as pessoas estão cansadas dos políticos tradicionais. As pessoas estão cansadas daquela prática da política das promessas, de pouca realização, de poucos objetivos. Em 1986, não havia segundo turno. Se naquela época tivesse segundo turno, ele (Antônio Ermírio) teria ido para o segundo turno e ganharia a eleição, porque todos os demais o apoiariam.

GCN - Mas foi uma disputa que o traumatizou tanto que ele nunca mais quis ouvir falar em política...
Skaf -
É, mas esse é um direito dele. Espero não ter um trauma. Espero sair muito bem dessa eleição. E as pessoas estão muito ligadas à sucessão presidencial e pouco ligadas ao Estado ainda. Tanto é que as pesquisas mostram que 65% das pessoas ainda estão indecisas quanto ao voto para governador. Então, todas as coisas, com relação à campanha para a sucessão estadual, estão para acontecer nesses próximos 20 dias. Estou muito esperançoso no sentido de nós crescermos, irmos para o segundo turno e ganharmos a eleição.

GCN - O senhor acha que vai ficar para o final das eleições?
Skaf -
Faço as minhas próprias pesquisas. Quando pego um táxi, quando passo pela rua, pergunto às pessoas em quem vão votar. O que eu sinto é que elas não estão a par nem têm clareza ainda de quem são os candidatos ao governo de São Paulo. Muitas pessoas falam: ‘Ah! O senhor é candidato a governador de São Paulo?’. Muitas vezes, confundem eleição federal com estadual. Agora que as coisas estão começando aqui para o Estado.