08 de julho de 2026

José Alexandre quer defender os orgânicos


| Tempo de leitura: 15 min
VAGO - José Alexandre evitou se posicionar sobre temas mais polêmicos e focou, principalmente, na produção rural

O dentista e produtor rural José Alexandre, candidato a deputado federal pelo PV, foi sabatinado pelo GCN Comunicação na última quinta-feira, 9 de setembro. O candidato disse que sua principal proposta é estimular a produção de alimentos orgânicos e a agricultura familiar. Alexandre criticou os alimentos transgênicos e afirmou que uma de suas grandes preocupações é a falta de proteção das “sementes crioulas”. O candidato não se posicionou sobre diversos temas importantes, como segurança pública e a falta de recursos para Santa Casa de Franca. Sobre educação, Alexandre propôs um modelo alternativo: a “pedagogia Waldorf”, ainda mais flexível que o sistema atual de progressão continuada no Estado.



PRIMEIRO BLOCO

GCN Comunicação - Por que o senhor quer ser deputado federal?
José Alexandre -
Já há alguns anos venho trabalhando com as questões de saúde. Mais recentemente, de 2004 para cá, tivemos a oportunidade de estar com um grupo de pequenos produtores, processadores de alimentos orgânicos, na Alemanha, em uma feira internacional. Tivemos a oportunidade de fundar uma associação que vem fazendo a mediação entre governo, produtor e processador, que é a Brasil Bio. Precisamos ter uma representação a nível nacional para que esse movimento continue a crescer.
 

GCN - O senhor é pouco conhecido em Franca. Na prestação de contas entregue à Justiça Eleitoral, está registrada uma receita pouco superior a R$ 14 mil. O tempo do seu partido no horário eleitoral gratuito também é pequeno. Como espera conseguir os votos necessários para se eleger deputado federal?
Alexandre -
Tive várias reflexões sobre essa minha iniciativa na política. Percebi que, durante a minha vida, desde que me formei em odontologia, venho trabalhando por uma causa maior do que eu. Exerci por dois mandatos a presidência da Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas aqui em Franca. Tivemos vários contatos com todas as regionais no Estado de São Paulo. São 80 regionais no Estado, são mais de 80 mil dentistas. Entramos também para esse movimento orgânico. Só no Estado de São Paulo, são muitas cidades do interior que estão trabalhando com essas propostas, com a agricultura familiar, da alimentação saudável. Estamos fazendo um trabalho via internet, tentando lembrar todos esses contatos que eu tive no decorrer da minha vida.
 

GCN - Mas candidato, R$ 14.995,50 é muito pouco dinheiro para uma campanha de deputado federal. Como o senhor vai fazer para alcançar o número de eleitores minimamente necessário para vencer as eleições?
Alexandre -
Estamos trabalhando via internet, com website. Estamos fazendo um trabalho com a classe odontológica, com todo o movimento orgânico. Temos também um grupo em algumas cidades do interior que está fazendo um trabalho voluntário.
 

GCN - O senhor acha que é suficiente? Isso coloca o senhor em condições de vencer a disputa?
Alexandre -
Acho que não seria o suficiente, mas estamos trabalhando com os recursos e doações que recebemos.
 

 

SEGUNDO BLOCO

GCN - Recentemente, os EUA liberaram as pesquisas com células-tronco embrionárias para testes em seres humanos. A ciência aposta numa revolução, especialmente na chance de cura de doenças degenerativas, a partir dessas pesquisas. A Igreja Católica condena a pesquisa. Qual a posição do senhor a respeito? Caso eleito, votaria a favor ou contra a liberação de pesquisas com células-tronco embrionárias?
Alexandre -
Esse tema requer um aprofundamento na área, um estudo mais detalhado. Para você ter uma noção, estamos trabalhando em uma pesquisa dentro da odontologia com células-tronco maduras, onde existe a possibilidade de desenvolver a terceira dentição. Com relação às células-tronco embrionárias, defendo a pesquisa, defendo a ciência como um processo de continuidade e de comprovação, mas também quero estar bem atento às comissões de ética.
 

GCN - A Argentina aprovou há algumas semanas uma legislação que autoriza a união civil entre pessoas do mesmo sexo, seguindo muitos países onde a situação já está regulamentada, como Canadá, muitas nações européias, a África do Sul e alguns estados americanos. No Brasil, a questão segue controversa. O senhor defende a regulamentação dos direitos dos homossexuais?
Alexandre -
Relacionamento é uma coisa muito individual. Temos que respeitar. Vivemos em um país democrático. Isso tem que ser regulamentado.
 

GCN - O senhor votaria a favor?
Alexandre -
Sim, votaria.
 

GCN - E o senhor é contra ou a favor de que estes casais tenham o direito de adotar crianças?
Alexandre -
Isso é um trabalho que prefiro aprofundar melhor, requer um estudo melhor sobre isso, no sentido de que a gente possa dar condições dessas crianças serem acolhidas dentro de uma amorosidade que proporcione o desenvolvimento. Não podemos padronizar. As leis não podem ser lineares, não podemos definir as regras para todo mundo.
 

GCN - Mas as leis são feitas para o senso comum. As exceções são exceções. Via de regra, o senhor defende que um casal homossexual possa adotar uma criança ou o senhor pensa que não poderia?
Alexandre -
Se realmente for algo que venha a trazer amor às crianças, acho que isso é viável.
 

GCN - Qual sua opinião sobre o projeto de lei que proíbe palmadas, beliscões e castigos físicos em crianças e adolescentes?
Alexandre -
Essas leis vieram para corrigir abusos. Quero fazer um trabalho em defesa da não violência. Vejo que os processos corretivos são importantes, desde que não sejam abusivos. A lei vem para corrigir as questões abusivas.
 

GCN - Mas o senhor não acha que as questões abusivas já estão corrigidas no âmbito do Estatuto da Criança e do Adolescente? O que esse projeto coloca, claramente, é a proibição total e absoluta de toda e qualquer palmadinha corretiva. O senhor concorda com esse projeto?
Alexandre -
Acho que isso requer um estudo mais aprofundado, requer uma definição junto com a sociedade.
 

GCN - Sempre que crimes hediondos abalam o País, como os casos que envolvem Eliza e Mércia, supostamente mortas por seus namorados, ganha força a discussão da adequação das penas no Brasil. O senhor é contra ou a favor da pena de morte?
Alexandre -
Sou a favor da vida. A pena de morte não resolve a violência, por pior que ela seja.
 

GCN - O senhor acredita que a pena máxima de 30 anos é suficiente, inclusive para autores de crimes hediondos? O senhor votaria a favor de penas mais duras?
Alexandre -
Vejo o sistema penitenciário do Brasil como algo totalmente equivocado. Como você pode colocar alguém 30 anos em uma cadeia se você não dá condições de refletir, reformular e reestruturar a sua vida? Temos que reestruturar todo o sistema penitenciário. Não cabe a mim fazer isso, mas cabe à sociedade propor essas mudanças. Todo esse processo começa no processo educacional. E cabe ao país e aos nossos governantes começar a focar na questão pedagógica e educacional que ajuda a desenvolver a cidadania e os valores reais do ser humano.
 

GCN - Mas isso é para o futuro. O senhor tem um problema concreto e será eleito deputado federal, caso consiga, para representar uma população. Como o senhor se posicionaria? O senhor acha que 30 anos são suficientes?
Alexandre -
Não tenho um estudo aprofundado sobre isso. Gostaria de estudar melhor junto com um grupo de pessoas para poder ter uma opinião. Não trabalho nesse sentido, mas quero aprofundar para entender melhor como posso ajudar essa pessoa que está condenada a 30 anos a reduzir a sua pena.
 

GCN - O senhor acha que, em tese, todo ser humano é recuperável?
Alexandre -
Acredito no ser humano...
 

GCN - Mesmo um assassino que é autor de um crime hediondo?
Alexandre -
Mesmo um assassino. Ele é vítima. Na maioria das vezes, ele é uma vítima do processo.
 

GCN - O debate sobre o avanço das drogas ilícitas, como maconha, cocaína e, especialmente, crack, é intenso. Há quem defenda a liberação do consumo de algumas drogas como meio de combater e enfraquecer o tráfico. Qual sua opinião sobre o tema?
Alexandre -
Temos que combater. Temos que ir de encontro à origem disso. Agora, requer um estudo, requer um aprofundamento de leis que realmente consigam coibir, onde o ser humano não precise recorrer a uma morte lenta através da droga.
 

GCN - Uma pesquisa feita pelo Hospital das Clínicas em São Paulo aponta que no Brasil mais de 5,3 milhões de mulheres já praticaram um aborto, quase sempre em condições precárias em clínicas clandestinas. Na prática, uma em cada cinco mulheres em idade fértil já abortou no Brasil. O senhor é contra ou a favor a legalização do direito ao aborto?
Alexandre -
Temos que aprofundar sobre isso. Hoje o aborto é uma questão de saúde pública. Requer uma atenção específica e uma orientação sobre como podemos ajudar estas questões dentro do Congresso. Não podemos fazer uma lei que possa simplesmente legalizar. Temos que estudar especificamente cada caso.
 

GCN - Qual a posição do senhor em relação à reforma trabalhista que moderniza as relações entre patrões e empregados?
Alexandre -
As questões relacionadas à reforma trabalhista têm que passar por uma reforma tributária. Caso contrário, não conseguimos promover essa integração entre patrão e empregado.