Ouvi de um personagem de novela a seguinte expressão, de domínio público: ‘pagando bem, que mal tem?’. É a consagração do utilitarismo, do pragmatismo, dos fins justificando os meios. Do prazer a qualquer custo, qualquer que seja sua consequência moral. Se para atingir os objetivos, ainda que ilegítimos e imorais, é preciso sacrificar valores, qual o problema?
É o ter por ter, tornando o consumismo a filosofia do viver. Em síntese, puro materialismo. E isto, sem qualquer dúvida, tem sito a causa de muito sofrimento para a humanidade. É por pensar desta maneira que o traficante destrói a vida daqueles para cuja escravização ou vício contribuiu, pouco lhe importando as consequências. É por isso que homens e mulheres se prostituem, degradando-se no comércio do sexo. É também por isso que o matador de aluguel extermina a preço combinado. Vale tudo, desde que se satisfaça pelo ambicionado valor amoedado. Porém, há uma lei moral que rege todas as nossas atitudes e que expõe as justas consequências na medida da ação praticada. Quem no-la revelou foi o mestre Jesus, que veio à Terra para libertar a humanidade da sua cegueira moral e intelectual. Disse o mestre: ‘A cada um segundo suas obras’. É enfático. Não disse: ‘segundo sua fé’. Ora, pelo que nos ensinou, toda ação que praticamos provoca uma reação, que é justamente a colheita obrigatória da semeadura livre que houvermos praticado. Assim, todos os que violam a Lei Divina, hão de colher o resultado infeliz do que houver plantado.
Por isso, nada, nem o ‘nem pagando bem’, justificaria o envolvimento em atitudes menos dignas, em tarefas destruidoras, em ações corruptivas do caráter. O salve-se quem puder não pode levar à construção de um mundo feliz. E felicidade é construção coletiva. E como ser venturoso egoística e individualmente? Como ser feliz, se familiares permanecem em sofrimento?Como usufruir de felicidade se os homens sofrem de todos os modos e padecem da própria ignorância? A maior vantagem que se pode levar é, sem duvida, a vantagem que beneficie a todos os envolvidos. É o simples cumprimento do ‘fazer aos outros o que queremos que nos seja feito’, regra áurea lecionada por Jesus. Só assim poderemos falar em felicidade, aquela que não prejudica o próximo e a natureza. Dir-se-ia, a felicidade consciente oriunda do correto cumprimento dos deveres e obrigações. Atitude que leve aos direitos e não ao contrário, como se tem visto apregoar.
Todos temos de estar conscientes das consequências morais dos nossos atos. Não podemos mais nos iludir pelo lucro imediatista, que nos engana num primeiro momento, mas que cobrará juros altos no futuro, como acontece agora com a humanidade, que se vê diante da violência descabida, porque estimulou o consumismo inconsequente, o lucro, exorbitante, a vitória a qualquer preço, a vantagem imerecida, o sucesso, fugaz e ilusório. É hora de se pensar na introspecção. No ‘conhece-te a ti mesmo’, que elevado ao plano geral, tornar-nos-á vencedores.
Felipe Salomão
Diretor do IDEFRAN - Instituto de Divulgação Espírita de Franca