08 de julho de 2026

Ainda resta uma esperança


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A s prisões do governador do Amapá e candidato à reeleição, Pedro Paulo Dias (PP); do presidente do TCE (Tribunal de Contas do Estado), Júlio Miranda; do ex-governador e candidato ao Senado Waldez Góes (PDT), além de outras 15 pessoas, naquele Estado, são uma amostra clara de que as coisas no Brasil estão mudando. Os presos (que incluem servidores públicos, agentes políticos e empresários) são acusados de desviar recursos públicos do Estado e da União e vinham sendo investigados desde 2009. O esquema teria desviado R$ 300 milhões em recursos. Décadas atrás, quando ainda havia currais eleitorais e votos de cabresto em profusão por todos os cantos do Brasil, uma série de personagens - que hoje fazem parte do folclore político do País -conseguiram criar verdadeiras fortunas do nada, apropriando-se de verbas públicas, negociando comissões com empreiteiras e participando de negociatas que precisam ser extirpadas definitivamente da vida brasileira. A operação da Polícia Federal, tornada pública ontem, denominada ‘Mãos Limpas’, cumpriu 18 mandados de prisão temporária, 87 mandados de condução coercitiva e 94 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça). Ou seja: os tribunais estão mais atentos e levando os agentes públicos de segurança a trabalhar no sentido de resguardar o direito dos contribuintes cujos tributos são desviados da administração pública para os bolsos das autoridades que foram eleitas para zelar pelo bem comum e aplicar com correção o dinheiro dos impostos. O Brasil não aceita mais ser espoliado por aqueles que deveriam cumprir com o dever de construir um país melhor e mais justo.


Felizmente os avanços tecnológicos estão sendo utilizados como ferramentas fundamentais contra as falcatruas, a corrupção e a malversação do dinheiro público. A transparência, consequência dos processos informatizados, tem permitido ao eleitor exigir dos seus representantes mais correção no trato da coisa pública. A necessidade de prestação de contas, inclusive pela Internet, vai tornando mais difícil os assaltos aos cofres públicos. O brasileiro trabalha - e muito -, paga seus impostos em dia e merece mais consideração dos políticos. A Operação ‘Mãos Limpas’ levou ontem para a cadeia autoridades que viam a coisa pública como algo particular. Caíram do galho. Mas ainda há outros que também merecem uma investigação bastante minuciosa e, com certeza, a partir de agora, passarão a pensar duas vezes antes de enfiar a mão no bolso do contribuinte. E, quem sabe, também a partir de agora, passem a honrar os votos recebidos e trabalhem somente no interesse dos cidadãos brasileiros. É uma esperança - tênue na verdade. Mas não deixa de ser esperança.