A divulgação dos números da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), feita ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), apontou uma série de índices sociais e econômicos positivos, mas deixou claro que o Brasil ainda precisa avançar em vários pontos, para que definitivamente assuma a condição de país desenvolvido. De acordo com a pesquisa, temos ainda 14,1 milhões de analfabetos, o que corresponde a 9,7% do total da população com 15 anos ou mais de idade. Na comparação com 2008, houve queda de 1%, enquanto de 2004 a 2009 a taxa recuou 1,8%. Porém, os bons índices registrados no Centro-Oeste, no Sul e no Sudeste (8%, 5,5 e 5 7%, respectivamente) contrastam com os do Nordeste, onde 18,7% da população é analfabeta, enquanto no Norte 10,6% não sabem ler nem escrever. O Pnad aponta uma população de 191,8 milhões de pessoas no Brasil.
Estes índices contemplando a taxa de analfabetismo no País demonstram que as regiões Norte e Nordeste ainda merecem uma atenção especial no que diz respeito ao Ensino, por conta da taxa, considerada alta, além de pressionar para cima o índice nacional. Os programas de distribuição de renda do governo federal - no caso, o Bolsa Família - poderiam ser utilizados no sentido de criar mecanismos para que os analfabetos sejam estimulados para aprender a ler e a escrever. Pelo que ficou constatado pelo IBGE, a população mais velha predomina entre os que não têm instrução formal. Do total de pessoas sem estudo, 92,6% têm 25 anos ou mais. Na avaliação dos indivíduos de 15 a 17 anos, 1,5% são analfabetos. Entre a população de 18 a 24 anos, essa proporção chega a 2,1%. No País, a faixa acima de 60 anos aumentou em 697 mil pessoas de 2008 para 2009, numa alta de 3,3%. Essa parcela da população já soma 21,7 milhões de pessoas, o equivalente a 11,3% do total. Ao mesmo tempo, na população de 0 a 24 anos houve redução de 642 mil pessoas, para 79,8 milhões de pessoas.
Diante destes números, os governos federal, estaduais e municipais precisam unir forças no sentido de permitir ao analfabeto ocupar os bancos escolares.
Este é apenas um ponto em que o Brasil precisa redobrar a atenção para que os índices continuem caindo. À medida em que a população mais velha cresce, são necessários instrumentos para que os mais idosos e menos instruídos sejam estimulados a investir na própria educação. O ministro da Educação, Fernando Haddad, diz que este (ensinar a população mais velha, da zona rural a frequentar os bancos escolares) é o grande desafio dos próximos anos.