A polêmica a respeito do vazamento do sigilo fiscal de pessoas ligadas ao PSDB e ao candidato presidencial José Serra domina os noticiários brasileiros há praticamente um mês e, ao contrário do que marqueteiros tucanos esperavam, surtiu efeito pífio na cambaleante campanha do ex-governador paulista, que corre o risco de sofrer uma histórica derrota ainda no primeiro turno. Seu companheiro, Geraldo Alckmin, nas eleições de 2006 conseguiu levar a disputa com o bem avaliado presidente Luiz Inácio Lula da Silva para um segundo embate. Mesmo assim, teve menos votos do que havia conseguido no primeiro por conta da insistência de tentar vincular ao governo petista o ‘dossiê dos aloprados’ (que estava sendo gestado por elementos ligados à campanha de Aloizio Mercadante em São Paulo, contra o mesmo José Serra, que se elegeu governador e hoje amarga sucessivas quedas nas pesquisas de intenção de voto).
Talvez nunca se saiba exatamente a que fim se destinava o vazamento dos dados de dentro de um posto da Receita Federal em Mauá, na Grande São Paulo. Mais de 130 nomes tiveram tiveram o sigilo quebrado e a investigação passa para a esfera policial, com a entrada da Polícia Federal no circuito. O assunto é, sem dúvida, gravíssimo. O que incomoda é que ele tem servido também para desviar as atenções de outros temas importantes e que interessam ao eleitor, como por exemplo, as propostas para que o País continue crescendo e permitindo que uma maior parcela da população deixe a linha da pobreza e se torne consumidora. A grande notícia da semana passada, que acabou eclipsada pelas dezenas de informações a respeito do vazamento das informações dos tucanos, foi o índice do Produto Interno Bruto brasileiro que continua crescendo. Isso chegou a surpreender até o governo federal, que não esperava a possibilidade da economia brasileira fechar o ano com um incremento de 7%. É algo a comemorar e contra o qual José Serra não pode lutar. Dilma Rousseff capitaliza os números positivos e até agora os tucanos não conseguiram explicitar o bom momento econômico registrado agora como um fato que teve suas raízes plantadas no governo de Fernando Henrique Cardoso (1994-2002). Aliás, esconder FHC foi um grande erro dos líderes da campanha.
O eleitor brasileiro ainda não tem respostas para outros temas cruciais que deveriam estar na pauta dos candidatos: a Educação que vai de mal a pior - e não adianta prometer a construção de escolas e universidades se o País não se der ao professor um treinamento adequado -, a Saúde Pública que continua crítica - distribuir ambulâncias e abrir ambulatórios, sem profissionais capacitados e bem pagos, não é o caminho - e ainda temos milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza, em que pese o auxílio de programas como o Bolsa Família (pois eles não conseguem atingir todos os que precisam). São modelos que estão esgotados e precisam ser reestruturados para que a população brasileira realmente seja contemplada com as ações necessárias do Poder Público para que veja garantido os seus direitos fundamentais: direito à Saúde e ao Ensino de qualidade, à alimentação, ao saneamento básico e a um salário justo, entre vários outros. É isso que o País espera de seus governantes e é o que deveria ter mais espaço nos debates desta campanha eleitoral.