Cristiano Rodrigues, o Crico, candidato a deputado estadual pelo PV, foi sabatinado pelo GCN Comunicação na terça-feira, dia 31. Áspero desde o início da entrevista, o candidato apresentou apenas duas proposta efetivas: quer estender seu programa Eco-consciente, que prega o uso racional dos recursos naturais e a preservação do meio ambiente, e construir uma ciclovia que ligue Franca a Restinga. Criticou os preços dos pedágios do Estado de São Paulo e disse preferir uma “estrada velhinha que possa andar em baixa velocidade” do que uma “pintada a ouro e prata em que ninguém consegue trafegar”. O momento mais tenso da sabatina foi quando os jornalistas abordaram o tema da homossexualidade. Visivelmente desconfortável, o candidato se disse um defensor da “sagrada família” e, por isso, é contrário à legalização da união civil de homossexuais. Ao final, em seu discurso de encerramento, evocou os “guerreiros da terra” para ajudá-lo a vencer este pleito.
PRIMEIRO BLOCO
GCN Comunicação - Por que o senhor quer ser deputado estadual?
Cristiano Rodrigues (Crico) - Para ajudar as pessoas, para conseguir potencializar um trabalho que já estamos fazendo há quase 10 anos, através do programa Eco-consciente, que tem como objetivo promover a conscientização pública para a educação ambiental. Esse projeto hoje está presente nas 157 escolas que visitamos levando informações sobre a separação do lixo, a preservação do meio ambiente e a conservação das nossas matas. Também discutimos o meio ambiente em que nós vivemos.
GCN - O senhor foi candidato a vereador em 2000 e 2004 e não conseguiu se eleger. Também foi candidato a prefeito em 2008, quando obteve sua votação mais expressiva, 7.135 votos, mas acabou em terceiro lugar. Diante desse histórico, como espera alcançar a quantidade de votos para se eleger deputado estadual?
Crico - Se eu falasse assim: “nossa, a votação que eu tive não daria para ser candidato a prefeito”, eu não teria os 7 mil e tantos votos, muito menos estaria almejando um cargo público. Vou repetir uma frase que ouvi do Fernando Henrique (Cardoso): ‘voto a gente sempre teve e a gente nunca tem’. Os momentos e as circunstâncias hoje são diferentes. Hoje, o Partido Verde está mais divulgado no meio nacional, a Marina Silva traz toda uma espiritualidade para a campanha, a imagem da mulher guerreira, do sangue negro indígena, tudo isso soma. Eu sinto que esta é a nossa eleição, apesar de a pesquisa, às vezes, colocar dados que podem não ser tão favoráveis a nós.
GCN - O que faltou para que o senhor tivesse uma votação mais expressiva?
Crico - Infelizmente, no dia da votação, tivemos uma matéria que saiu com o número errado no jornal de vocês. Isto nos prejudicou muito. Saiu o número 23, quando na verdade era 43. Quem votou 23 acabou votando nulo. Isto foi uma das coisas que nos prejudicou. Também faltou um pouco mais de estrutura de dinheiro, de apoio político, apoio que hoje nós estamos tendo. (Nota da redação: o erro aconteceu em parte da edição do Comércio da Franca. Durante toda sua programação, a Rádio Difusora informou os eleitores sobre a falha e informou o número correto de Crico).
GCN - Candidato, o senhor não deixou de ser prefeito de Franca por uma diferença de centenas de votos. Há um abismo que separa o resultado que o senhor obteve nas urnas daquele verificado pelo vencedor no primeiro turno...
Crico - São duas coisas diferentes. Uma é essa diferença de votos. O prefeito tinha toda uma estrutura e é realmente uma pessoa muito competente, um político admirável. Eu estava galgando um espaço, ninguém sai para correr uma corrida se não estiver pensando em ganhar. Nesta eleição, temos condições de fazer diferente, porque grande parte das pessoas que eram meus adversários estão chamando votos.
SEGUNDO BLOCO
GCN - Educação é um dos temas que mais têm merecido sua atenção em pronunciamentos. A progressão continuada, consagrada no Estado pelo PSDB, é o modelo vigente no ensino público paulista. O que o senhor acha desse sistema?
Crico - Sou contra. O aluno que não está preparado não pode passar adiante. Por outro lado, às vezes, ele é bom em história e foi muito mal em matemática. Acredito que a gente poderia tentar mesclar essa questão igual no ensino universitário, criando a dependência, permitindo ele “carregar” determinadas matérias. Mas isso precisa ter uma discussão pedagógica.
GCN - O senhor, como deputado estadual, votaria a favor da manutenção da progressão continuada ou defenderia a volta do sistema tradicional com repetência e provas?
Crico - Não dá para voltar e perder tudo o que conquistamos de bom. Mas se tiver que decidir entre um e outro, prefiro que volte.
GCN - Qual a grande conquista da progressão continuada?
Crico - É justamente o aluno não ter que fazer aquela matéria em que ele já cumpriu o objetivo. Isso desestimula a pessoa. Deveriam aproveitar os créditos como na faculdade. É uma maneira da gente aproveitar o que tem de bom e corrigir o que precisa ser corrigido.
GCN - A lei antifumo, que proíbe os cidadãos de fumar em locais fechados, a bem da saúde pública, por conta de seu caráter restritivo, tem gerado polêmicas. O que o senhor pensa a respeito?
Crico - Acho que é uma grande conquista em termos de qualidade de vida. Se tivesse jeito do cara fumar e essa fumaça não incomodar quem está do lado, não teria problema nenhum. Mas a gente não pode ter um prazer, uma satisfação, atrapalhando o nosso irmão que está do lado. Sou a favor da lei e acho que ela conquistou o apoio de grande parte de nossa população.
GCN - Outro tema bastante debatido é o modelo de concessão de rodovias implementado pelo PSDB em São Paulo. O senhor considera as tarifas de pedágio abusivas, em contrapartida, as rodovias do Estado são as melhores do país. Qual a sua proposta para manter as rodovias em ótimas condições com valores mais acessíveis?
Crico - Precisamos rever os custos dessas rodovias. Não adianta uma rodovia pintada de ouro e prata que ninguém possa trafegar. Prefiro a estrada velhinha e mais simples do que ter essa rodovia maravilhosa e que a gente não pode transitar. Coloco também a questão da gente buscar transportes alternativos. Temos o transporte pluvial, temos o transporte ferroviário. Acredito que a maneira de abaixar os custos das rodovias é fazer uma auditoria para saber o quanto as empresas estão lucrando.
GCN - Por que em nenhum outro Estado da federação existem rodovias compatíveis com as paulistas? Das dez melhores rodovias do Brasil, oito estão em São Paulo e as outras duas também estão no Sudeste.
Crico - Nós tínhamos as rodovias todas sucateadas. Agora, arrumamos. Só que depois disso, o preço começou a ficar muito exagerado, além do normal, e isso criou um descontentamento em toda a população.
GCN - É que ninguém gosta de pagar imposto...
Crico - Ninguém gosta de pagar imposto, porque o imposto do dia a dia não dá uma saúde boa, plano de saúde, a educação a gente tem que pagar se quiser que seja legal.
GCN - O imposto da rodovia, que é o pedágio, deu uma estrada boa. Se há uma alternativa para isso, por que ainda não foi implementada?
Crico - Eu ainda não fui candidato a governador, mas como deputado estadual vamos pressionar o governador e tentar contribuir para que tenha uma alternativa. No Brasil, pode ser que nós não tenhamos soluções em outros estados, mas temos em outros países rodovias que são do Estado e rodovias que são particulares e são boas. Temos que dar alternativas para as pessoas que não podem pagar aquele pedágio tão caro.
GCN - Mas em qualquer país, seja ele socialista, como a França, ou extremamente capitalista, como os Estados Unidos, há pedágio nas estradas.
Crico - Há pedágio, mas não tão caro quanto o que tem aqui. É um absurdo. Esse pedágio está impedindo a integração entre as cidades. Se você sair daqui para ir até o litoral, vai pagar cerca de 26 pedágios dentro do seu próprio Estado. A cada 30, 40 quilômetros está tendo um pedágio. Temos um desequilíbrio, tenho certeza de que a população que está em casa concorda comigo.
GCN - O senhor repetiria para essa população que, para o senhor, é melhor uma estrada ruim com valor baixo do que estrada boa com valor alto de pedágio?
Crico - Acredito que a população quer uma estrada boa com um preço mais justo.
GCN - Mas as palavras do senhor foram que preferiria uma estrada pior e mais barata do que uma estrada maravilhosa e cara.
Crico - Prefiro uma estrada boa para valer os impostos que você paga no seu IPVA, que pagamos na gasolina. É isso que prefiro.
GCN - Há anos, um dos maiores pleitos de Franca junto ao governo do Estado, em termos de saúde pública, é a regionalização da Santa Casa. Quando o senhor foi candidato a prefeito, disse que não tinha um plano nesse sentido para o hospital. Hoje o senhor já tem algum projeto?
Crico - Tive a oportunidade de conhecer a Santa Casa, conversar com os diretores. Descobri que existe muita verba no governo federal e até internacional para ajudar o hospital. A Santa Casa não é um problema para ser resolvido só pelo deputado ou pelo prefeito. É um problema que precisa ser resolvido e discutido por toda a população. Vou me colocar à disposição para tentar ajudar.
GCN - Em 2008, o senhor defendia a federalização da Santa Casa. Ainda acha essa proposta válida?
Crico - Amadurecendo um pouco mais, acredito que a Santa Casa não é responsabilidade só do governo federal, só do município ou só do Estado. Ela precisa ser uma responsabilidade conjunta, não só do governo, mas de toda a sociedade. Só federalizar a Santa Casa não vai resolver.
GCN - A segurança pública do Estado é um dos alvos mais atacados pela oposição. Os delegados paulistas reclamam que têm o pior salário do país. O que o senhor pretende fazer a respeito?
Crico - Nós não temos política de segurança. Estive entrevistando policiais civis, delegados, policiais militares, investigadores. Temos o absurdo de existirem cidades no Estado de São Paulo nas quais um delegado tem que ir lá fazer plantão para dar entrada em investigação, porque não tem autoridade no lugar. Há muito tempo não se abre concurso no Estado para suprir essa necessidade. Temos um problema de quantidade de policiais e temos o problema desses policiais não estarem ganhando salários dignos.
TERCEIRO BLOCO
GCN - O senhor nunca ocupou cargos eletivos. Não acha que a falta de experiência política pode prejudicá-lo na Assembleia Legislativa?
Crico - Não, acredito que não. Toda a minha vida, apesar de ter disputado as eleições e de não ter tido a oportunidade de assumir um cargo eletivo, venho me preparando. Fui para São Paulo, estudei em uma boa faculdade, a FAAP, fiz pós-graduação na Fundação Getúlio Vargas. E tenho a experiência de ter sido assessor de um vereador aqui em Franca, de ter trabalhado dentro do gabinete do José Paulo Tóffano, que é um deputado, e saber um pouquinho como funcionam os trâmites.
GCN - O senhor já declarou publicamente que pretende pleitear a construção de uma ciclovia entre Franca e Restinga. Com tantos problemas existentes na cidade, o senhor considera que esta iniciativa é prioridade?
Crico - Não pretendo, nós já estamos fazendo. Foram empenhados R$ 98 mil, que já estão em mãos da Prefeitura de Restinga para a construção da ciclovia. A ciclovia não é só para ficar andando de bicicleta à toa, tem muita gente que usa ela para trabalho. E investir nos transportes alternativos é uma coisa que muitos dos jovens de Franca estão almejando há algum tempo. Acredito que a ciclovia vai ser muito interessante.
GCN - Na sabatina de 2008, o senhor não elencou nenhuma medida imediata que tomaria como prefeito e afirmou que precisaria fazer uma pesquisa e levantar os pontos fracos e fortes da cidade. Hoje, o senhor já sabe quais são os principais problemas de Franca?
Crico - Franca tem muitos problemas, para alguns deles eu apresentei solução. Vou te dar um exemplo. Quem falou de mercado popular aqui, entre todos os candidatos (a prefeito), fui eu. Hoje já tem uma iniciativa louvável para fazer um mercado popular em Franca. Outro exemplo é o investimento no plano de carreira do servidor. É uma coisa que o Jerônimo (Sérgio Pinto, secretário municipal de Administração) está fazendo de forma louvável. Muitas questões que nós levantamos estão sendo acatadas pelo prefeito, porque são ideias boas.
GCN - O senhor diria que o prefeito Sidnei Rocha se inspira no seu discurso?
Crico - Não. Eu me inspiro no Sidnei, porque ele é mais velho que eu. Tem muita coisa em que ele é referência e não podemos negar isso.