08 de julho de 2026

Pão com coisas


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Humm: Pão com coisas...é de dar água na boca!

Pode-se supor que o mais antigo parente do moderno sanduíche esteja datado do século primeiro de nossa era, época em que aparece referido em textos religiosos. Chamava-se koresh, palavra judaica que traduzida para o português seria enrolado. Consistia de massa fina, sem levedo, que sustentava ervas amargas e se consumia em períodos onde a dieta era determinada pelas comemorações religiosas. É possível que fossem sanduíches ancestrais também aqueles pães e peixes multiplicados por Cristo no relato do Novo Evangelho. Daí se depreende ser pouco confiável como seminal a história do hipotético criador do lanche mais conhecido ao redor do mundo.Dizem que Jonh Montagu, o quarto conde de Sandwich e jogador inveterado, para não deixar as cartas e ter de usar talheres, pedia aos criados que lhe preparassem pão com carne, arranjo possível de ser degustado com as mãos. O nobre inglês pode ter dado nome a algo até então não nominado, o que não significa que só a partir do século XVII  a mais democrática das comidas tenha passado a existir.

Hoje ao redor do mundo os sanduíches variam de acordo com as culturas que acabam se refletindo nos recheios. Atum, salmão, sardinha, anchova; rosbife, presunto, salame, salaminho, mortadela; pastrami; queijos;  pepinos em conserva, pimentões, tomates, alface, cenoura; condimentos; ovos...vale tudo. E molhos para dar o toque, de todos os tipos: mostarda, maionese, inglês, tabasco, shoyu, além da clássica combinação azeite, limão e sal. O pão pode ser o francês (como só conhecemos no Brasil), baguete, italiano, roseta, de miga, de forma, de folha, sírio... E as combinações de uns e outros, continente e conteúdo, também ganham reticências, pois é impossível enumerá-las. Cada um faz de um jeito a sua obra de arte. 
Escolhi um sanduíche que tem efeito visual bonito e vale por uma refeição.Eu o descobri num livro de receitas da Provence, região famosa pela beleza natural e pela culinária divulgada no mundo todo. É conhecido por Pan bagnat, que em dialeto provençal significa Pão úmido. Nele cabem tomate, pimentão, rabanete, alcachofra, ovo, azeite, cebolinha e atum. É untado com azeite e perfumado com alho. Acompanhado por uma taça de proseco bem gelado se transforma num banquete a ser desfrutado quando a temperatura sobe.
Escolha um pão de casca  grossa. O original é feito com o conhecido pain de campagne, pão de campanha. Se tiver habilidade, faça em casa com a massa do pão d'água, que só leva água, azeite, sal, fermento e farinha. Se não tiver talento nem paciência, compre o pão tipo nino que também dá certo. Corte ao meio. Retire a maior parte do miolo. Unte com bom azeite, ele deve ficar úmido. Espete um dente de alho num garfo e esfregue-o no pão. Cozinhe o ovo e corte-o em rodelas. Corte da mesma forma  tomate,  rabanete, pimentão. Retire os caroços das azeitonas. Pique a cebolinha. Escorra os fundos de alcachofra. Faça uma salada com todos os ingredientes, menos o atum, temperando com sal, pimenta e gotinhas de vinagre. Coloque esta salada no meio do pão. Ajeite as lascas de atum. Está pronto.
 
Aprenda o passo a passo: (clique na imagem para ampliar)