No Fantástico, da TV Globo, em 8 de agosto, foi apresentado um quadro no qual duas mulheres diziam ter marcas de reencarnação passada. Conforme afirmou o programa, a reencarnação não é invenção e nem propriedade da doutrina Espírita. Ela existe desde antes que existisse o homem que, por sua vez, é resultante do processo evolutivo.
Faz parte da crença dos povos mais antigos, entretanto o Espiritismo, além de reapresentá-la ao mundo porque A. Kardec a inscreveu como um dos postulados doutrinários, demonstrou ser ela indissociável da Lei de Causa e Efeito, ensinada por Jesus. Daí porque o embasamento doutrinário da Reencarnação, no Espiritismo, sempre esteve ligado à Moral Cristã.
Tendo assistido ao referido programa, algumas pessoas vieram perguntar como é que uma marca produzida no corpo anterior ressurgia no novo corpo. O corpo antigo não teria se desfeito no túmulo? Para estas questões, o Espiritismo ensina sobre a existência do perispírito, corpo fluídico que envolve o espírito. É este corpo que registra as marcas de maior gravidade psíquica que o corpo físico tenha sofrido. Pode-se dizer que o perispírito é a memória integral de nossas existências. Nele ficam gravados - sem qualquer lapso - os acontecimentos da nossa vivência na Terra. O perispírito acompanha o Espírito no mundo espiritual porque é a ‘roupa do Espírito’. Podemos afirmar, também, que o perispírito é a ‘fôrma da forma’, isto é, no momento da concepção, o Espírito é acoplado ao corpo cuja formação se inicia, pelo perispírito, molécula a molécula. Assim, as marcas perispirituais mais graves, do ponto de vista psíquico, ressurgem no novo corpo. Assim é evidente que nem todas as marcas reaparecem na reencarnação seguinte, senão aquelas necessárias ao adiantamento espiritual do indivíduo na sua nova experiência física.
Os mentores espirituais encarregados de orientar o espírito no seu novo surgimento na Terra tomam as providências indispensáveis ao cumprimento do planejado. Aquelas marcas mais evidentes e necessárias se pronunciam na nova representação física. São as chamadas ‘bottom marks’, como as denominam os americanos. É o corpo fluídico - o perispírito - que orienta magneticamente os cromossomos na formação do novo corpo, como nos ensina André Luiz, pela psicografia do médium Francisco Cândido Xavier, principalmente nos livros Os Mensageiros, Missionários da Luz e Evolução em Dois Mundos. Essa constatação, todavia, não quer dizer que toda e qualquer marca seja prova de reencarnação passada. Qualquer pinta ou verruga que surja, podemos pensar em marca do passado? Não!
É preciso um conjunto de provas, lembranças e outros fatos comprobatórios para que se afirme tratar-se de sinais reencarnatórios. Mas que as marcas podem surgir, isto é inegável. Como naquele famoso caso, comprovado pelos arquivos do exército americano, em que um marinheiro que se lembrava de haver participado da guerra da Coréia. Não só se lembrava. Trazia na atual encarnação a mesma impressão digital que possuíra quando guerreou no país asiático. Como sabemos, nem gêmeos têm a mesma impressão digital. Assim, só mesmo a reencarnação pode explicar satisfatoriamente o acontecido. ‘Que veja, quem tem olhos de ver.’
Felipe Salomão
Diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca - IDEFRAN