Fim de tarde, sol escaldante ainda, sob a árvore do jardim, pés descalços sobre o banco, sapatos esquecidos sobre a grama, no centro dela a mesa cheia de pratos com comida e copos
Depois de muito papo e confidências e risadas, um silêncio profundo caiu entre as amigas. Distraídas, simultaneamente elas se calaram e, apesar de fisicamente unidas, seus pensamentos voaram, provavelmente cada um, em uma direção. Um segundo? Dois? Talvez três: seguramente um daqueles momentos que, presenciados pelas avós, afirmavam que em alguma parte do mundo nascera um padre... Recomeçaram a falar, quase ao mesmo tempo. De início, ninguém entendia ninguém. Mais risadas, uma voz se ergueu, atônita, reconhecendo que todas propunham fazer uma lista das melhores coisas do mundo. Bruxaria ou magia a coincidência? Nenhuma e as duas coisas ao mesmo tempo: coisas de mulher... Se custamos a entender o prazer do homem diante da televisão vendo vinte e dois marmanjos suados se matando de correr atrás de uma bola - quer dizer, vinte, pois dois ficam parados diante da trave com rede atrás - eles jamais entenderão esses prazeres simples escolhidos pelas românticas mulheres, sob a frondosa árvore, naquela tarde trigueira... (E nenhuma alusão a sexo!). No entanto, homens e mulheres, volta e meia somos cúmplices em alguma atividade, pode ser que haja algum consenso na listagem elaborada.
Sem ordem de gostosura, a primeira ganhou disparado: a emoção de reconhecer um filho na multidão. Chupar manga e jabuticaba do pé. Andar descalça na grama molhada. Tomar banho de cachoeira. O primeiro gole da cerveja bem gelada. Botar um agasalho quando está fazendo frio. Subitamente entender o sentido de um texto muito difícil. Conseguir cantar uma música antiga, sem errar palavra. Estar muito triste e ver a Lua boiando no céu, em noite estrelada. Pôr-do-sol no inverno, ao lado de quem se ama. Não precisar dar explicações para alguém entender um gesto seu. (E nem precisar pedi-las). Saber os nomes dos seus sentimentos. Receber a visita de quem você gosta muito e que não via há muito tempo. Conseguir esquecer coisas desagradáveis. Ganhar um sorriso de criança desconhecida. Olhar o fogo queimando. Vencer um desafio qualquer (de pular brejo a encarar bicho). Tomar água quando está com muita sede. Fazer xixi quando ‘apertada’. Achar o número do telefone da paquera antiga, disponível, quando acabou de ser dispensada e passada para trás. Encontrar a antiga rival feia, gorda, desleixada e banguela! Sentir que a gente é ótima em alguma coisa. Achar um monte de dinheiro esquecido na bolsa ou no bolso do casaco guardado. Aquela hora em que você entende que a vida é curta, que é preciso ser feliz todos os momentos. E que a chave da sua felicidade está disponível e a seu alcance!
Se a relação fosse só minha eu acrescentaria algumas outras coisas (muito) boas: tais listas revelam nossas necessidades interiores. Eu ajuntaria: a sensação de me sentir amada. Ser abraçada espontaneamente. Sorvete - eu acho que se Deus comesse, comeria sorvete. Abrir a caixa de correspondência e encontrar mensagem dos filhos. Ouvir das netas que querem dormir na minha casa - na minha cama, elas querem dizer. Saber que meu neto - que mora distante - pergunta por mim. Ganhar flores. Ouvir barulho de criança chegando. Buscar pão quentinho na padaria e vir lambiscando-os pelo caminho de volta. Arroz, feijão, salada de tomate com azeitona preta, ovo ‘zóiudo’ e farofa. Água fria. Chuva. Ver germinar qualquer semente que plantei. Banana frita. Ouvir música. Cheirar a roupa dos filhos e lembrar o cheiro de cada um. Ler jornal no jardim. A companhia das amigas e amigos. E o que sinto quando termino de escrever um texto, leio, releio e encaminho para ser publicado. Sem dúvida, coisas que não há dinheiro que compre.
RESPOSTA
Ninguém me respondeu. Vou reformular as perguntas: alguém sabe onde foram parar as muretas que serviam de banco e ficavam sob o belíssimo caramanchão - igualmente feito de pedra - na pracinha ao lado da Igreja de Santo Antônio? E a pracinha, virou estacionamento?
PALESTINA
Palestina é a denominação dada pelos ingleses à região do Oriente Médio situada entre a Costa oriental do Mediterrâneo e as margens do Rio Jordão. A área está dividida em três partes: Israel (com população judaica), a Faixa de Gaza e a Cisjordânia (ambas com população predominantemente árabe-palestina). Pequena e complicada área: cerca de 28 mil quilômetros quadrados e 12,6 milhões de pessoas. Do total, Israel tem 7,5 milhões de habitantes distribuídos numa área de 23 mil quilômetros quadrados; Gaza, 1,4 milhões de pessoas em território estreito de 360 quilômetros quadrados, o que faz dela uma região de elevadíssima densidade demográfica, e a Cisjordânia, numa área 6 000 quilômetros quadrados, abriga 2,4 milhões de habitantes. Em 2004, para separar Israel e Cisjordânia foi iniciada a construção de um muro de 700 quilômetros de extensão.
ELEIÇÕES
Quando teremos eleitores que escolherão seus candidatos pela competência, pela honestidade, pelos projetos apresentados, pela afinidade de ideias? Quando pararemos de ser assediados pelas mulheres e capangas dos candidatos que vêm nos pedir votos? Não é um acinte a abordagem ‘se você não tem em quem votar, vote no Fulano? ‘Tiririca! Pior do que está, não fica!’. E não é verdade?