08 de julho de 2026

Ele é o cara?


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Será insensato e exagerado afirmar que Luiz Inácio Lula da Silva encarna na história republicana brasileira a figura política mais popular e mais querida do povo brasileiro? Lula já ostenta uma popularidade maior do que foi a de Jânio Quadros, de Juscelino Kubitschek de Oliveira e de Getúlio Vargas? Sabidamente Lula chegou à Presidência da República após três tentativas fracassadas. Perdeu a primeira eleição para Fernando Collor e sua eficiente estratégia de marketing político. Posteriormente ele perdeu em sequência mais duas eleições para Fernando Henrique Cardoso, um político com cara e perfil de estadista.


Obstinado, Lula acabou vencendo Serra e Alckimin. Está ele agora no ocaso do seu segundo mandato, apresentando índice de aprovação popular superior a 80%. Segundo pesquisas de momento, tudo sinaliza para que ele faça a sua sucessora, provavelmente já no primeiro turno. O que surpreende é que a candidata petista ostenta uma folha corrida bastante controvertida, além de ser neófita em eleição. Pelo que se sabe Dilma não disputou mandato eletivo nem para vereadora.


É inegável que várias conjunturas internacionais conspiraram favoravelmente ao Brasil nesses últimos anos. Muitas foram colocadas na conta do Governo Lula. Da mesma forma, não se pode negar que ele assumiu o seu primeiro mandato já na era pós-plano real, com o País gozando de estabilidade econômica, com inflação sob controle, com o saneamento bancário e com a retomada do crescimento econômico.


Também é certo que Lula assumiu a presidência com taxas altíssimas de desemprego. Prometeu e cumpriu a promessa de retomada do emprego com carteira assinada. Houve, inegavelmente, uma grande inclusão social. A classe média retomou o poder de compra que estava esfacelado. Óbvio que no plano político acabou fazendo acordos com figuras caricatas da política nacional. Sarney, Collor, Renan Calheiros e Jader Barbalho são alguns exemplos de políticos que ajudaram a construir a governabilidade. Com isso o socialismo decantado por Lula se esvaiu.
 

Lula implantou projetos sociais de cunho bastante populista, além de não ter ficado imune a escândalos de corrupção. O pior deles foi o do mensalão, cuja sujeira chegou bem próximo da soleira do Palácio do Planalto. Felizmente para Lula, o escândalo só acabou ceifando a cabeça do seu fiel escudeiro, José Dirceu. A perda não foi tão grande, pelo contrário: José Dirceu é para o time do PT como aquele jogador de futebol que, por ser ruim de bola, leva a torcida a fazer figa para que o árbitro o expulse do jogo. Ruim sem ele, pior com ele.


O apogeu da popularidade de Lula, sinto, está ratificado no atual pleito. Todos os candidatos (até mesmo os da oposição) se negam a atacar Lula e seu governo. Aliás, o que se vê é exatamente o contrário: todos tentam de alguma forma explorar a imagem do Presidente com o propósito claro de convencer eleitores indecisos. O tempo se encarregará de mostrar se ele acertou mais do que errou. Porém, uma coisa é absolutamente certa: ele já ajudou a escrever uma página importante na democracia brasileira. Ninguém ousará negar.

 

Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca