08 de julho de 2026

E a farra continua


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Mais uma vez, os políticos brasileiros deram uma prova de que trabalham para a torcida e não se preocupam com o bem-estar dos eleitores, principalmente os menos favorecidos. Ontem, o Senado aprovou projeto de resolução que autoriza municípios e Estados a se endividarem para obras da Copa-2014 e do Rio-2016 sem obedecer aos limites previstos em lei. O projeto foi aprovado a toque de caixa no último esforço concentrado do Senado antes da eleição. De acordo com o portal da transparência da Copa-2014, estão previstos empréstimos da União de quase R$ 10 bilhões para o evento. Na prática, os senadores colocam as obras da Copa do Mundo e das Olimpíadas em pé de igualdade com investimentos como iluminação pública e projetos de melhoria da gestão fiscal do governo federal, que também podem ser financiados sem obedecer aos limites de endividamento. O Senado tem a prerrogativa de autorizar os financiamentos da União com Estados e municípios. Atualmente, o limite de endividamento é de 16% da receita líquida do ano corrente e de 11,5% para o pagamento de juros e empréstimos já contratados.


Tudo isto demonstra que não há a preocupação, por parte dos políticos brasileiros, com a destinação do dinheiro público. Ao que se sabe, nem Copa do Mundo e muito menos Jogos Olímpicos irão beneficiar a população brasileira que vive sem água encanada ou saneamento básico, que é praticamente a mesma que não consegue suprir as suas necessidades mais básicas, como ingerir três refeições diárias (café da manhã, almoço e jantar). Não adianta apresentar a velha e batida justificativa de que as obras vão empregar milhares. Afinal, as construtoras já têm grande parte dos trabalhadores especializados que irão utilizar e vão buscar no mercado, em sua maioria, apenas serventes e ajudantes, com salários baixos. Assim como aconteceu com as obras do Pan-Americano do Rio de Janeiro de 2007, sabe-se quem serão os grandes beneficiados, por conta dos valores superfaturados que acabam passando batido. O Pan deixou uma conta enorme que, sempre se soube, no fim caiu no colo do contribuinte.


Caso os gastos fossem assumidos por entidades privadas, ou seja, as próprias construtoras e clubes interessados, não haveria do que reclamar. Porém, enquanto o Brasil enfrenta ainda problemas terríveis de infraestrutura, transportes, educação e saúde, com milhões de miseráveis (de acordo com dados da Organização das Nações Unidas) que não são atingidos pelos programas de distribuição de renda do governo, não se pode permitir que a farra com o dinheiro público continue. O brasileiro não suporta mais a carga tributária do País. Continuar pagando a conta para a festa de alguns poucos chega a ser acintoso.