Oito em cada dez estudantes brasileiros viram um colega fumando maconha, segundo informa relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O documento só reforça o estudo realizado pelo Sindicato de Especialistas de Educação do Magistério Oficial do Estado de São Paulo (Udemo), segundo o qual 32% das escolas, num universo de 683 pesquisadas, já conviveram com porte, consumo ou tráfico de drogas. O problema extrapola os limites do ensino médio e segue para o superior, com graves consequências para os universitários.
Nesse ponto entra o CIEE, com 60% de universitários entre seu 1,5 milhão de estudantes cadastrados, e não se furta a empreender uma ação duradoura para incentivar a prevenção do consumo de drogas lícitas e ilícitas.
Há uma década, a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) confiou ao CIEE, por sua tradição e capilaridade, a coordenação da Campanha Nacional Antidrogas nas Escolas Superiores. O programa é composto por três ações que estimulam a conscientização dos jovens. O primeiro é um ciclo de palestras que já passou por instituições de ensino das principais capitais na última década e levou especialistas a sete universidades de São Paulo, lotando auditórios com um total de 1,8 mil estudantes.
A segunda estratégia da campanha é a publicação de folhetos informativos que são distribuídos aos universitários. O panfleto mais recente lançado tem o título O que as pessoas pensam que sabem sobre as drogas e tiragem de 10 mil unidades. A primeira explicação se refere diretamente aos estudos da Unesco e da Udemo, focando o consumo social de bebidas alcoólicas e cigarros: “O interesse por parte do indivíduo, o ambiente que ele frequenta e suas companhias são fatores de risco para o início do uso e o avanço da dependência”. A última ponta da Campanha Nacional Antidrogas nas Escolas Superiores é um estímulo à pesquisa universitária, com a promoção de um concurso de monografias que distribui R$ 13 mil reais em prêmios aos três melhores estudos.
Em 2009, o vencedor foi o estudo “Síndrome fetal alcoólica: subestimada ou irrelevante”, das estudantes Andressa Fernanda Augustin e Isabela Molina Silva, alunas de Psicologia da Universidade Estadual de Maringá, no Paraná. O trabalho buscou chamar a atenção para a importância de se fazer um diagnóstico correto da síndrome.
Luiz Gonzaga Bertelli
Presidente executivo do CIEE e diretor da Fiesp