08 de julho de 2026

Práticas mediúnicas


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Certamente, andando pelas ruas do centro da cidade você já recebeu pequeno folheto propondo solução para problemas de saúde física, emocionais, afetivos, financeiros. Oferecem-nos solução para qualquer tipo de problema que nos esteja afetando. Desde unha encravada, calvície, perda de patrimônio e, especialmente, perda da pessoa amada. Faz lembrar os antigos filmes de cowboy nos quais havia um viajante que estacionava sua carruagem para vender um elixir ou tônico que era a solução para todos os males.


Evidentemente que cada um tem o direito de se apresentar como queira e propor a ação que mais lhe convenha. O que se lamenta, contudo, é envolvimento do nome do Espiritismo nestas atividades. Outro dia, recebi um folheto que dizia ‘espírita sensitiva’ que soluciona os seus problemas. Já o dissemos aqui e não é cansativo repetir: o Espiritismo nada tem a ver com tais atividades. Pelo contrário.
 

Ensina a Doutrina Espírita que o verdadeiro médium, devidamente orientado pelo Espiritismo, não se dedica a tais práticas. Quem é, não faz alarde de suas faculdades e nem vive da prática mediúnica. O médium que se orienta pela Doutrina Espírita sabe que não resolve problema algum e nem promete solução miraculosa. Quem resolve é a Misericórdia Divina, segundo a necessidade e o mérito de cada um.
 

Claro que não duvidamos da mediunidade de ninguém. Até porque nem todo médium é espírita. A mediunidade não é invenção e nem propriedade do Espiritismo. Por isso, cada um age da maneira que lhe convém. Não, porém, com o nome do Espiritismo que nos orienta para a prática permanente do bem, sem qualquer interesse que não o de ajudar.
 

Também nos informa a Doutrina Espírita, que a verdadeira causa dos males reside no espírito imperfeito. A cura material é paliativo. O que devemos procurar é a cura verdadeira, a do espírito, pela mudança de atitudes, pela prática da caridade. Não adianta curar o corpo quando o espírito permanece doente. Também a novela Escrito nas Estrelas, em alguma cenas, apresenta fenômenos mediúnicos com a realização de rituais e utilização de velas, incenso, cartas etc, o que pode ser prática mediúnica, mas não espírita. Não há qualquer atividade espírita nas quais se utilizem símbolos exteriores. A prática é toda voltada para a interiorização, para o contato do crente, pela elevação de pensamentos, com as forças superiores da vida. Tudo muito simples, sem qualquer ritual e sem intermediário.
 

Concluímos que mediunidade não quer, necessariamente, dizer Espiritismo. Há fenômeno mediúnico? Há! Há Espiritismo? Nem sempre! Fica, assim, o convite para o estudo da Doutrina Espírita para que saibamos, definitivamente, separar fenômeno e Doutrina.

 

Felipe Salomão
Diretor do IDEFRAN - Instituto de Divulgação Espírita de Franca