No barbante? Que histórias? Pode ser que você faça esta pergunta ao ler o título. Vamos responder. No Nordeste do Brasil, faz muito tempo, poetas inventam histórias, colocam uma ilustração (chamada xilogravura), imprimem em papel jornal e vão pra feira vendê-las. Poeta é quem escreve poesia. E esta poesia que escrevem para vender na feira se chama cordel ou folheto. Cordel porque ficam dependuradas numa cordinha, à vista do freguês. Folheto porque vêm impressas numa folha do tamanho desta que você está lendo.
E será que os poetas encontram quem compre a sua poesia? Sim, muita gente compra. Dizem assim ao feirante: "Ei, me dá um folheto!". O feirante retira do barbante e vende a quem pede. Custam baratinho e divertem quem lê. Assim como tem história em livro, CD, DVD, filme, gibis, revistas, também têm história de cordel. Quem escreve história de cordel se chama cordelista.
O cordel é um suporte para lite-ratura. Livro, disco, filme, revista, gibi, cordel são chamados suportes. Uma mesma história pode ser contada de jeitos dife-rentes dependendo dos suportes. A história de Alice no país das ma-ravilhas foi criada pelo escritor inglês Lewis Caroll, que a colocou num livro. Depois, a gravadora Odeon levou a história para um disco. Em seguida os estúdios Disney fizeram um desenho. Um filme foi produzido e passou recentemente no cinema do Franca Shopping. Pois Alice também é contada num cordel!
Vejam como o cordelista João Gomes de Sá coloca Alice no seu cordel, logo no começo da história, contando o mundo maravilhoso que ela viu ao cair no buraco enquanto perseguia o Coelho: