08 de julho de 2026

Carandiru


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Renato Castelani é o médium psicógrafo que recebeu o livro Carandiru - Um depoimento póstumo, ditado pelo espírito Zeca, que teria falecido no denominado ‘Massacre do Carandiru’, ocorrido em 2 de outubro de 1992.


Quando psicografava a obra, Renato começou a duvidar da autenticidade do que recebia. Poderia estar sendo influenciado pelo noticiário ou poderia tratar-se de produto da sua própria imaginação, atitudes corretas de quem é criterioso no estudo da Doutrina Espírita. Não obstante a dúvida do médium, a narrativa apresentada pelo espírito comunicante sugere autenticidade, além de bem concatenada e repleta de lances comoventes. Além disso, expunha um relato minucioso do dia-a-dia de um prisioneiro.


Todavia, a dúvida permanecia ante a impossibilidade de se confirmarem os dados narrados pelo espírito. A penitenciária do Carandiru fora demolida. Como, em tais casos, bem orienta o Espiritismo, o psicógrafo submeteu o texto à apreciação de pessoas mais esclarecidas e pediu opiniões. Uma delas foi dada pelo consagrado escritor espírita Dr. Hermínio Corrêa de Miranda, que aconselhou a publicação do livro. Só então Renato entregou os originais a Cristian Fernandes, que se encarregaria de edição pela Editora Lachâtre. Nesse ínterim, Cristian se viu envolvido em um acidente de trânsito e qual não foi seu espanto quando chamado à delegacia, ser reconhecido por uma testemunha como participante de um assalto. Trancafiado, passou a conviver com outros detentos. Certo de sua inocência, Cristian começa a trabalhar em favor daqueles que estão na mesma cela e providencia ali, a formação de uma biblioteca espírita. Empresta livros, fala de Espiritismo, mostra a Sabedoria da Lei Divina e, juntamente com outros prisioneiros, cria uma reunião de estudos e prática do Espiritismo.


Um dia Cristian fica conhecendo o prisioneiro Márcio que, embora jovem, já tinha longa ficha criminal. Estabelece-se uma amizade espontânea entre os dois. Cristian diz ao amigo que confia na Justiça Divina e que sua inocência será, um dia, reconhecida. Oferece livros a Márcio, inclusive o rascunho de Carandiru que, nas horas vagas, trabalhava com vistas à publicação. Márcio se empolga com os ensinamentos do Espiritismo e, nos diversos diálogos que mantém com Cristian, revela que pode identificar um dos personagens do romance, Camarão, um prisioneiro com que convivera em outra unidade prisional. Uma luz começa a brilhar para a comprovação do relato do espírito Zeca. Por carta, entram em contato com Camarão que confirma toda a história que o espírito havia narrado. Era a comprovação que faltava. Era o selo confirmador da psicografia do médium Renato Castelani.
 

Hoje, Cristian teve o reconhecimento da sua inocência, Márcio cumpre o resto da sua dívida com a sociedade completamente regenerado e Camarão, que se tornou evangélico, faz belas pregações sobre a Bíblia.


Como vemos, uma simples história narrada por um espírito que vivenciou os acontecimentos no Carandiru, transformou vidas e veio a ser comprovada por um dos seus personagens, ainda encarnado. Por isso, dizemos em Espiritismo, a vida é eterna mensagem de Deus!

 

Felipe Salomão
Diretor do Instituto de Divulgação Espírita da Franca