08 de julho de 2026

Um belo gesto


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Se mal comparo, as eleições têm uma certa semelhança com os vestibulares. Para entrar numa Universidade, o vestibulando estuda, estuda e estuda até ficar meio alienado. Para vencer uma eleição, o candidato fala-fala, discursa-discursa, anda-anda, bajula tanto o eleitor até deixá-lo meio alienado. A grande vantagem do político vitorioso é que ele passa imediatamente a receber as vantagens e as benesses do cargo.


Fui candidato. Acreditava na vitória. Tinha certeza da vitória. Por mais que as pesquisas eleitorais me desmentissem, eu ia em frente. Num “cadete” conversível e já bem usado, percorria as ruas de Franca tendo um insuportável alto falante em cima de minha cabeça. Só não o desliguei porque ele falava muito bem da minha pessoa.
 

Uma vez candidato, não há como retroceder. Não importam as pesquisas, os comentários pessimistas, o “não” de algum eleitor pouco esclarecido. O jeito é ir em frente, ter fé, esperança. O sonho não pode morrer antes da abertura das urnas.


Trabalhei. Trabalhei muito para me eleger . Eu e meus três companheiros não saíamos daquele carrinho bordô embandeirado de verde. Era dia e noite fazendo barulho pelas ruas e becos da cidade.
 

Não tive decepções durante a campanha. Ninguém me afrontou, me ofendeu ou me desrespeitou. Fui bem recebido em toda parte. Encontrei velhos amigos distanciados no tempo e no espaço, mas sempre presentes em nossa memória. Foi bom! Valeu! Foi uma festa!


De todos os episódios agradáveis vividos por mim na campanha eleitoral de 2006, guardo um com muito carinho. Ao passar pelo terminal rodoviário de ônibus urbanos, em frente à Praça do Correio, escutei uma salva de palmas. Satisfeito, perguntei ao meu filho Jorge:


- Quem está nos aplaudindo?
 

- É o Dr. Ubialli, a sua família e os seus companheiros disse-me ele.
 

Com um sorrisinho nos lábios, voltei a lhe perguntar:
 

- Será , porventura, um sinal de adesão?
 

Meu filho, com seu habitual realismo que chega às raias do pessimismo, respondeu-me com uma sonora gargalhada.
 

O otimismo é fundamental ao político. É desse otimismo que nascem as utopias.

Evidentemente, os aplausos da família Ubialli não significavam adesão. Eram aplausos em reconhecimento ao nosso esforço, ao nosso trabalho, à nossa fé.
 

Ubialli venceu. Venceu e deixou , como um belo gesto de sua campanha, o aplauso e o respeito a um adversário.
 

 

Chiachiri Filho
Historiador, criador, diretor por oito anos do Arquivo Municipal e membro da Academia Francana de Letras