08 de julho de 2026

Que venham as propostas


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O início do horário eleitoral gratuito no rádio e na TV, nesta terça-feira, poderá ser a verdadeira largada da campanha, notadamente no que diz respeito à disputa da Presidência da República. Embora as pesquisas eleitorais estejam apontando uma liderança de Dilma Rousseff, nesta altura ninguém pode dizer com certeza qual será o resultado das urnas em outubro. Afinal, o número de eleitores indecisos e sem candidatos continua alto, conforme os últimos levantamentos dos institutos Datafolha, Ibope, Sensus e Vox Populi (entre 14% e 20%, dependendo da pesquisa). Ou seja, um número que ainda pode influir no resultado final. E deve ser estes eleitores que os três principais candidatos à Presidência - além de Dilma, José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) - vão tentar seduzir no rádio e na TV. Mas, pelo menos até o momento, nenhum dos três principais postulantes à sucessão do presidente Lula apresentou suas propostas de forma clara.


Enquanto Dilma ‘cola’ a sua imagem à do presidente Lula (cujos índices de popularidade continuam superiores a 80%), Serra e Marina ainda não mostraram ao eleitor o que farão caso sejam eleitos. A petista também ainda não colocou em discussão nem um esboço de seu futuro programa de governo. Especializou-se em promessas dirigidas, feitas para cada público onde se apresenta. A feirantes, promete reforçar a agricultura familiar; a estudantes, a inauguração de escolas profissionalizantes e universidades; a professores, o reforço nos salários e no treinamento. Ou seja, em cada ocasião uma promessa, como é praxe no discurso de muitos políticos. Quanto ao programa de governo (depois da polêmica ao apresentar ao TSE propostas defendidas pela ala radical de seu partido, como o controle da imprensa e apoio a invasões de terra), nada até agora.


Serra e Marina também não apresentam nada consistente no que diz respeito às propostas de governo. O tucano ainda não disse a que veio, não trouxe a público as suas reais intenções caso se instale no Palácio do Planalto. Quanto a Marina, ela tenta usar a sua história pessoal como motivo aglutinador de votos, mas não possui um grupo de propostas que lhe permita assumir a sua candidatura por inteiro. Há pontos do programa do PV que não pode assumir (como a defesa da união civil de casais homossexuais e o aborto), por conta de suas convicções religiosas (ela é evangélica), por exemplo. Sua aposta é confiar na sua experiência política, como senadora e ministra, para conseguir votos suficientes para colocá-la no segundo turno contra Dilma ou Serra.


Desta forma chegamos ao início da propaganda eleitoral gratuita ainda sem conhecer a fundo as propostas dos três principais candidatos à Presidência. O eleitor espera que o horário do rádio e da TV seja utilizado não como peça de publicidade mas sim como espaço onde os candidatos vão explicitar as suas intenções, dando chances para o eleitor se decidir bem antes de se ver diante da urna, no dia 3 de outubro.