09 de julho de 2026

Por que candidato(a)?


| Tempo de leitura: 2 min

Por que uma pessoa decide ser candidata em uma disputa eleitoral? Tenho feito essa reflexão há cada dois anos, quando analiso aqueles que se apresentam nas eleições municipais. Por que uma pessoa quer se eleger para esse ou aquele cargo público? Confesso que eu nunca fiz (e não pretendo fazer) essa pergunta aos atuais candidatos de Franca porque temo ouvir algumas lorotas e demagogias. Conheço o propósito nobre de alguns mas, de outros não posso dizer o mesmo.


As razões são, certamente, várias, mas podemos especular basicamente com três motivos principais: a vaidade pessoal, os interesses pessoais e/ou de grupos e, o mais nobre e desejável, o compromisso com a melhoria da sociedade.


O primeiro e o segundo motivos são, infelizmente, os que mais movimentam as intenções dos candidatos. Nós sabemos, através de inúmeros e aterradores exemplos que uma grande parte dos candidatos, em todas as eleições, não possui a menor capacidade de ocupar um cargo público.


Esta minha avaliação não é preconceituosa, elitista ou qualquer outra coisa. Decorre da constatação de que eles não sabem o que devem fazer se forem eleitos. Aliás, tem vereador que, mesmo depois de vários mandatos, continua não tendo a menor idéia de suas atribuições.


Quero, particularmente, comentar a terceira motivação que leva uma pessoa a ser candidata: o compromisso público e social. Acontece que em uma democracia esse compromisso tem início quando a candidatura é apresentada e submetida à avaliação popular. Portanto, é difícil entender o que leva alguns candidatos francanos a fugirem da oportunidade da exposição e da sua autopromoção pública quando surge essa oportunidade.


Eu entendo, pela minha experiência política, que os candidatos compromissados devem aproveitar todas as oportunidades sérias para a apresentação das suas intenções e mostrar que sua competência é legítima. O contrário disso só é aceitável se decorrer de uma possível razão incidental.


Assim, além do absurdo de termos 14 candidatos francanos aos cargos de deputado estadual e federal, temos ainda que presenciar a falta de respeito que alguns dedicam à comunidade ao fugir de sabatinas e, eventualmente, até de debates.


O episódio recente das ausências de dois candidatos da sabatina aplicada pelo GCN Comunicação é lamentável.


Perde a democracia francana, perde o eleitor que tem dúvidas em quem votar, perde o candidato que sai com sua imagem fumegada e, no final das contas, só ajuda a reforçar a ideia de que alguns candidatos enquadram-se apenas entre aqueles motivados pela vaidade e pelos interesses pessoais ou de grupo.


Há quem diga que a massa eleitoral não toma conhecimento desses fatos e que no dia da eleição acaba referendando os que no processo eleitoral a desprezou. Temos que evitar que isso seja confirmado. As ausências, as omissões e as bobagens que são facilmente faladas por determinados candidatos devem ser sempre lembradas. Somente assim faremos uma depuração natural do que serve – ou não –, para a democracia e para a importante função de representar o povo.

 

Cassiano Pimentel
Agente de exportação e professor universitário