08 de julho de 2026

Duplo prejuízo


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Um político precisa avaliar as consequências de seus atos para que não prejudiquem, mais à frente, o seu próprio desempenho, além de minar a sua credibilidade junto ao eleitor. O político deve se assumir como personalidade pública e, como tal, responder positivamente às expectativas da comunidade para a qual diz trabalhar. A vereadora e candidata a deputada federal Graciela David Ambrósio (PP) seria entrevistada no último dia 5, em mais uma rodada das sabatinas do GCN Comunicação com os candidatos a deputado por Franca, mas evitou o encontro com os jornalistas e deixou de explicar o que a motiva a ser deputada e quais sãos suas propostas caso eleita. Menos de uma semana depois, constata-se o surgimento de dois efeitos danosos por conta da postura da vereadora-candidata. Além de privar os eleitores de saberem o que pensa sobre questões de relevância nacional, também terá, certamente, enfraquecida sua representatividade na Câmara dos Vereadores.


Um exemplo dessa situação foi sua derrota na última sessão da Câmara, terça-feira. Importante projeto apresentado pela vereadora por meio do qual ela pretendia ver revogada a Lei da Mordaça decretada pelo Legislativo francano - foi arquivado sem nem mesmo ser discutido por seus pares. Ou seja: foi solenemente ignorado, depois de receber parecer contrário dos vereadores Jepy Pereira (PSDB), Otávio Pinheiro (PTB) e Silas Cuba (PT). Além de Graciela, votou a favor apenas o seu colega de partido, Laercinho do Paiolzinho (PP). Os demais foram contra. Mesmo assim, a vereadora pediu que o projeto fosse à votação: outra derrota acachapante. Desta forma ficou mantida a lei aprovada pela Câmara, determinando que repórteres sejam mantidos à distância dos vereadores durante as sessões, impondo ainda outras restrições ao trabalho da imprensa dentro das dependências do legislativo municipal.


Claro que não seria possível estabelecer uma ligação direta entre a atitude dos vereadores e a ausência de Graciela. Os legisladores já sinalizavam serem contrários à proposta. Mas, sem dúvida, o esvaziamento da discussão, sem sequer haver debate sobre o assunto, revela o quanto a voz normalmente mais forte de Graciela foi silenciada.


Não foi só. A vereadora também foi alvo de duras críticas de seus colegas de Câmara, onde foi chamada até de covarde pelos próprios colegas. Diante dessa situação, fica claro o duplo dano causado por atitudes como a da vereadora, que não compareceu ao debate e não deu explicações plausíveis para a ausência. A cidade, tão carente de referências, perde uma que começava a se consolidar.