A violência segue em alta como um dos temas mais abordados nas manchetes de primeira página da imprensa regional paulista. Isso se deve a duas tendências que ocorrem em paralelo.
De um lado, a inclusão do Interior Paulista como mercado importante na rota de distribuição e consumo de drogas, de onde se origina a maioria dos crimes contra a vida humana. Conforme a sociedade vai evoluindo em seus diferentes aspectos sociais, econômicos e políticos (direitos humanos, cidadania, inserção social, diminuição da pobreza e conhecimento técnico a serviço da comunidade, entre outros avanços), também os criminosos aperfeiçoam métodos e se tornam mais ousados. Valem-se inclusive dos benefícios da tecnologia para atingir pessoas, empresas e instituições.
De outro lado, é visível na maioria das regiões do Estado a mobilização consciente da população na defesa e melhoria da qualidade de vida, o que inclui o direito de ir e vir, proteção do Estado na área de segurança pública e adoção de medidas preventivas para enfrentar coletivamente os pontos vulneráveis de segurança e diminuir a chance de ocorrências criminais.
Os dois movimentos de inteligência, para o bem e para o mal, ocorrem simultaneamente, como se fosse um jogo de empurra-empurra, para usar analogia conhecida. É importante, portanto, espalhar a boa informação, aquela que municia os cidadãos de bem para se armar contra os bandidos. Não pela arma que mata, mas aquela que evita o crime ou diminui o seu raio de ação: a força coletiva.
Aquilo que deu certo numa cidade, certamente pode se multiplicar e gerar efeitos positivos em outra. A troca de informações entre as cidades é cada vez mais vital na sociedade globalizada. Esse é um dos propósitos de Contexto Paulista. A coluna anterior apontou exemplos de projetos em cidades importantes do Estado – Sorocaba, S. José dos Campos, Barra Bonita e Santo André. Hoje são apresentadas mais duas experiências.
PRAÇAS E MUROS
Em Bauru, onde 2010 já é considerado um dos mais violentos da história, a Polícia Militar aposta na mobilização comunitária para amenizar a violência na cidade. Em entrevista ao Jornal da Cidade, o oficial da PM responsável pelo comando do batalhão da cidade, tenente-coronel Nelson Garcia Filho, afirma que cuidados no visual de certas regiões da área urbana podem coibir crimes como roubos, furtos, estupros e até homicídios. Ele sugere o uso da arte do grafite para mudar o visual e evitar pichações. Bauru é uma cidade com tradição na criatividade gráfica e artística. Não faltarão talentos para essa empreitada. É uma oportunidade para os jovens. Basta as lideranças mobilizarem a população. A prefeitura pode incentivar muito. É importante manter as praças limpas e bem iluminadas. “A comunidade é o principal pilar da polícia comunitária”, afirma o tenente-coronel, que recomenda a aproximação da população com os policiais como uma das estratégias de combate ao crime.
CÂMERAS
Outra pista interessante é saber como Ibitinga conseguiu a proeza de baixar os índices de criminalidade. De acordo com a Tribuna Impressa, de Araraquara, a instalação de 26 câmeras de videomonitoramento em 12 pontos estratégicos está associada à queda de furtos simples de 504, nos primeiros seis meses de 2009, para 421 neste semestre, redução de 16,5%. O projeto custou R$ 140 mil. Como complemento, a Guarda Municipal foi reestruturada, com renovação de frota e cursos de qualificação ao efetivo. Os equipamentos foram instalados na entrada da cidade, centro comercial e entroncamentos dos bairros periféricos. O tenente Richard Braga de Oliveira, da Polícia Militar, diz que “as câmeras inibem a ação de bandidos” e que a população é bastante ativa em denúncias anônimas que ajudam o policiamento.
ANTIFUMO
Em um ano de vigência da lei estadual antifumo, é possível fazer um balanço positivo na maioria das regiões do Estado. Em Sorocaba, o Cruzeiro do Sul informa que houve 99,7% de adesão dos estabelecimentos à lei que proíbe o uso de cigarros em locais públicos ou privados e fechados. O Diário do Grande ABC destacou em manchete na sexta-feira que a lei “emplacou” na região com a adesão de praticamente todos os estabelecimentos fechados e de uso coletivo e com apoio da maioria da população. O Diário da Região destaca que na região de Rio Preto a norma foi aprovada por autoridades de saúde, donos de estabelecimentos e pelos próprios fumantes. Em Araraquara, a maior parte da população e comerciantes também aderiu à lei.
Wilson Marini
wmarini@apj.inf.br