Agosto, o oitavo mês do ano. Aparentemente azarado, no entanto grandes produções e eventos medram nesta época, como em toda. Basta semear. Boa vontade e força motriz, o brasileiro exporta aos montes.
Nem só de azares se vive. Este oitavo é reservado aos pais. Dia dos pais, convencional ou não, pouco se me dane! É o Dia dos Pais da minha vida. Reverencio-os com todo amor e paixão. De orgulho, reconhecimento, porque são homens com H maiúsculo!
Eugênio, o bom gênio, italiano, baixinho era meu nono e contrastava com a esposa bem alta e matrona. Não o conheci. Valente e desbravador. De provinciano, saía para trabalhar na França, meses a fio, a buscar sustento à família numerosa, forjando e instalando trilhos de ferro, na construção de ferrovias. Dureza de labor, embora seja legal historicamente lembrar. Castro, o outro avô, também emigrara com a família. Espanhol, provinciano, sem terra, mil sonhos similares. Nas Gerais se instalou, depois de anos nas Três Colinas se assentou. Comerciante dos então secos e molhados, fez a vida: filhos e investimentos. Teve até sete casas, orgulhava-se! Risonho e lindo, como só os avós o são! Doce e fera. Amante e sofredor. Maçon e excêntrico. Grandes lembranças de afeto e carinho para comigo. Calimério, o admirável sogro! Avô de meus filhos, pai extremado, caráter, dignidade indomável. Presença muda, discreta e serena.
João, o misericordioso. Primeiro filho de treze irmãos a nascer no Brasil. Motorista de praça, corretor, sindicalista, torcedor ferrenho do Verdão e da Feiticeira. Trazia no olhar feitiço, simpatia, humor e extrema religiosidade, até benzia erisipela! Caridoso, nunca teceu comentário depreciativo por nada. Soube viver com maestria, sabedoria e arte, vivia a vida entre vidas de otimismo e fé. Cento e um anos foram poucos a tão longa expressividade, ó papai!
Luiz, disponibilidade em servir, retidão impecável, beleza. Educou filhos valorosos, com estoicismo e tenacidade: exemplo de amor. Companheiro, parceiro, abrigo.
Luiz Alexandre, o primogênito de meu ventre, o pai da “minha rosa”, o amigo confidente, agora orientador. Ganhou da avó materna o segundo nome por imposição, ainda antes de nascer, entre carícias entremeadas de baforadas de cigarro e risadas escandalosamente belas de alegria. Grandes características de minha mãe...
Eis os pais de minha vida! Eis alguns de meus amores eternos! Modelos, exemplos, doçura ao meu coração. Moldes de bem viver!
Maria de Lourdes Liporoni Martins
professora, escritora, membro da União Brasileira de Escritores