Nos últimos anos temos ouvido (e eu tenho presenciado fora do Brasil) dizer que o Brasil está na moda, que somos ‘a bola da vez’, destacando nossas vantagens atuais e o potencial que o País demonstra ter para alavancar cada vez mais sua economia e eliminar (ou pelo menos reduzir) suas assimetrias sociais.
Entretanto esses elogios ou ‘vantagens’ devem ser vistos com cautela e sem ufanismo. Aliás, ufanismo não colocará o Brasil, definitivamente, entre as nações mais desenvolvidas do planeta. Ufanismo ou ‘meia’ constatação só favorece nossos concorrentes no mercado internacional.
Eu acredito que o Brasil, indiscutivelmente, tem potencial inigualável, mas, acreditar que basta o tempo passar para que nos tornemos uma nação plenamente desenvolvida e senhora do seu destino, seria acreditar demais.
Há muito ainda a ser feito e, nesse sentido, é importante conhecer a pesquisa encomendada pelo Banco HSBC e divulgada no último dia 27 de julho. Foi realizada pelo departamento de pesquisas da revista The Economist e constata que além dos problemas antigos que possuímos – a exemplo de educação e infraestrutura –, temos ainda os desafios da falta de inovação e de reconhecimento internacional.
Obviamente que não há como entender a falta de inovação e a falta de reconhecimento internacional se nossa reflexão não transpassar a questão da educação. A qualidade (em todos os aspectos humanos) de um país é o resultado do esforço que ele faz, ao longo de décadas, no ensino. Não me canso de afirmar isso. Entretanto, outras ações paralelas precisam ser efetivadas para que o nosso sonho de ser uma grande nação não se transforme em um triste pesadelo.
O Brasil avançou muito. As questões macroeconômicas (inflação, crise financeira, falta de credibilidade internacional, dívida externa, mercado interno débil etc.) estão sendo satisfatoriamente resolvidas, mas temos desafios estruturais complicados para serem tratados. Um deles é a pouca capacidade das nossas empresas de inovar tecnologicamente. Conforme a pesquisa demonstra, somos bons para ajustar a tecnologia internacional ao nosso ambiente produtivo, mas não contribuímos para a sua criação, para a sua inovação.
O outro aspecto da pesquisa, a falta de reconhecimento internacional para as marcas brasileiras, é fácil de entender. Sempre fomos comprados pelo mercado internacional.
São poucas as empresas que investem diretamente no mercado externo com suas próprias marcas. Além disso, tornamo-nos grandes exportadores de commodities que, conforme diz André Loes, economista do HSBC, “não possuem marcas’.
Para aprender a divulgar sua marca as empresas deveriam conhecer as experiências relatadas na revista Exame de setembro de 2007, intitulada ‘Fama no Exterior’. Conta as experiências bem sucedidas das marcas Sagatiba, Weril, Papaiz, sandálias Havaianas e da rede de joalherias H.Stern.
Por outro lado, é ano de eleição presidencial. Seria ótimo se nossos candidatos discutissem esses temas e não, apenas, mesmices e baboseiras tupiniquins.
Cassiano Pimentel
Agente de exportação e professor universitário