O PT de São Paulo decidiu que o espaço reservado na propaganda eleitoral a candidatos a deputado federal e estadual será usado para pedir votos para a legenda. Com isso, os petistas explorarão ao máximo o potencial do maior puxador de votos da sigla - o presidente Luiz Inácio Lula da Silva - e reforçarão as campanhas de Dilma Rousseff, Aloizio Mercadante e Marta Suplicy, candidatos à Presidência, ao governo e ao Senado, respectivamente. O eleitor assistirá a Lula, Dilma, Mercadante e Marta pedindo votos para o número do PT no horário reservado a políticos que disputam vagas na Câmara e na Assembleia. A mudança, inédita na estratégia de propaganda eleitoral no Estado, foi aprovada na última segunda-feira em assembleia do partido e teve Edinho Silva, presidente estadual da sigla, como principal articulador. O PT de São Paulo estima que conseguirá dois milhões de votos na legenda. O voto na legenda alimenta o potencial das coligações para obter cadeiras no Legislativo. A mudança ajudará ainda as campanhas de Mercadante e Dilma. Lula não aparecerá ao lado deles no horário dos proporcionais, mas pedirá votos para o 13, número de campanha dos dois candidatos.
Esta é mais uma dificuldade que candidatos aos legislativos federal e estadual sofrerão, pelo menos os petistas no Estado de São Paulo. A decisão do partido poderá acabar contaminando outras campanhas estaduais, por conta da necessidade de reforçar a campanha proporcional (presidente, senador e governador). Uma estratégia bastante arriscada e que poderá causar prejuízos a alguns candidatos. A partir dela, eles terão de se submeter a uma verdadeira maratona para buscar votos suficientes à eleição. Tendo no corpo a corpo com os eleitores uma das poucas opções de divulgar o nome até o dia do pleito, em outubro.
Os responsáveis pelas campanhas - inclusive os do PT - consideram que a disputa neste ano, em que pese a força da credibilidade do presidente Lula, será bastante difícil. O eleitor, como vem sendo demonstrado nos últimos anos, tem buscado informações a respeito de seus candidatos e não está se deixando seduzir por promessas vazias. O advento da lei da ‘Ficha Limpa’ levou para a disputa eleitoral uma preocupação com o passado do candidato e, como a campanha será realizada na base do olho-no-olho (candidatos a deputado terão que falar de perto com o eleitor), resultados inesperados poderão surgir quando a Justiça Eleitoral começar a tabular os votos gravados nas urnas eletrônicas. Sem espaço no rádio e na TV, candidatos terão que se desdobrar e falar de perto ao cidadão, o que não seria exatamente um problema, a não ser o fato da limitação de divulgação do nome e intenções. Quem não é conhecido tem suas chances de colocar o nome com igualdade na disputa cada vez mais reduzidas.