O prédio da AEC-Castelinho, no centro de Franca, abrigará um shopping popular. Ainda não há detalhes do projeto, mas a previsão é que a reforma no local deva ser finalizada na primeira semana de novembro. Assim, os comerciantes que se instalarem no prédio poderão aproveitar o período das festas de final de ano. A informação foi confirmada ontem por Ismael Xavier, chefe da fiscalização da Prefeitura.
As negociações entre o Clube Castelinho para a venda do imóvel, por R$ 2 milhões, e os empresários Marangoni, duraram mais de um ano. Após a reforma que já está sendo realizada, a previsão é que no local sejam construídos cerca de 100 boxes que abrigarão preferencialmente os camelôs das praças 9 de Julho e do Itaú. “O acordo feito entre a Prefeitura de Franca e os novos proprietários do imóvel é de que os vendedores que estão nas praças tenham preferência na ocupação. Dessa forma, eles deixarão de ser irregulares e se tornarão comerciantes devidamente legalizados”, explicou Xavier.
O valor do aluguel de cada box ainda não foi oficializado, mas deve ficar entre R$ 150 e R$ 200, segundo o chefe de Fiscalização. Hoje, os camelôs pagam cerca de R$ 180 pelo uso do espaço nas praças.
A mudança não tem entusiasmado os camelôs. Leonilda Aparecida Franco, que tem uma barraca na Praça 9 de Julho, tem medo da troca. “Já estou aqui há 16 anos, tenho clientela e todo mundo me conhece. Aqui o movimento de pessoas é constante, lá ninguém garante que será igual”.
Esse não é o único medo dos comerciantes não regularizados. Após obterem a regularização, não poderão mais vender suas mercadorias em outros lugares e nem retornar às praças. “Se mudarmos para a nova construção e não der certo lá, não poderemos mais voltar. Eu tenho medo de perder tudo que construí em 20 anos”, conta a também vendedora Maria da Glória Silva. Para os donos de barracas, deve haver um consenso. “Não podemos nos dividir, meia dúzia ir e outros ficarem. Alguém sairá perdendo”, diz Leonilda.
Segundo o chefe da fiscalização, as pessoas não serão obrigadas a se mudar para o shopping popular. “Deixamos a critério dos próprios trabalhadores das praças, que devem se decidir se participarão ou não do novo empreendimento”. As inscrições para os comerciantes que quiserem se regularizar e alugar um espaço no novo local devem ser abertas ainda em agosto.