Sem fugir de temas polêmicos, o candidato a deputado federal Paulo Afonso Ribeiro (PT) abriu, na manhã de ontem, a série de sabatinas promovidas pelo GCN Comunicação. Seguro e bem articulado, o petista foi claro em seus posicionamentos. Disse apoiar a união de pessoas do mesmo sexo, a regulamentação dos direitos dos homossexuais e a reforma tributária. Ainda se mostrou favorável à pesquisa com células-tronco em seres humanos e à reforma agrária. Garantiu que, se já estivesse eleito, votaria contra a pena de morte e a legalização do aborto. Por fim, defendeu o fim da progressão continuada e da invasão às liberdades individuais.
Paulo Afonso chegou em cima da hora à sede do GCN, onde foi sabatinado por uma hora pelos jornalistas Corrêa Neves Júnior, diretor-executivo do GCN; Edson Arantes, repórter e colunista do Comércio da Franca, e Fernanda Bufoni, editora do Núcleo de TV do GCN. A sabatina foi dividida em quatro blocos que abordaram questão gerais e específicas sobre a vida e o pensamento do candidato.
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Em nenhum momento durante a uma hora de sabatina, Paulo Afonso se mostrou nervoso. Tirou de letra os questionamentos sobre a desistência de sua candidatura em 2006, ocorrida dois dias depois de ter sido sabatinado. “Não haverá desistência de minha parte. Desta vez, vou até o fim. Estaremos na disputa nem se for com carrinho de som e meia dúzia de eleitores”.
Também não se esquivou de comentar a resistência que sua candidatura enfrenta dentro de seu próprio partido. “Constrangido não me sinto nunca. Vou lutar com os meus recursos e defender as minhas ideias, mas abrirei uma discussão dentro do partido sobre essa falta de apoio”.
Os temas polêmicos em debate no País não intimidaram o petista. Com raciocínio claro, sem rodeios, se disse favorável à união civil de pessoas do mesmo sexo. “Sou a favor do amor. Defendo a liberdade de todos nós escolhermos com que queremos viver”. Paulo Afonso também votaria a favor da adoção de crianças por homossexuais. “A criança deve ter um lar independente da opção sexual de seus responsáveis. É melhor do que vê-las abandonadas, sem carinho, sem comida e sem escola”.
Paulo Afonso respondeu abertamente que é contra a pena de morte, “porque não resolve o problema da violência e porque sou cristão”. Defendeu a reforma da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) desde que a mesma não envolva os direitos fundamentais dos trabalhadores como férias, 13º salário e Fundo de Garantia. E mais uma vez, se posicionou contrário a implantação da flexibilização da jornada de trabalho com a adoção de banco de horas na indústria calçadista. “Flexibilizar jornadas é flexibilizar direitos. Mas eu não gostaria de tratar da questão do banco de horas como algo isolado”. Para ele, os empresários francanos não têm maturidade para celebrar acordos.
Sobre educação, defendeu o fim da progressão continuada. “Aluno que não aprendeu não deve passar de ano”.
A legalização do aborto foi o único tema no qual Paulo Afonso não deu uma resposta categórica. Antes de se posicionar sobre o assunto, o candidato falou longamente sobre a necessidade de uma “grande discussão” do tema e sobre os aspectos religiosos e sociais que envolvem esse debate. Depois, questionado novamente, finalizou dizendo que “neste momento” ele é contra a legalização. “O Brasil ainda não está preparado para isso”.
Paulo Afonso também demonstrou um certo desconforto durante o debate sobre reforma agrária. Depois de ser informado sobre o levantamento divulgado pelo deputado federal, Aldo Rebelo (PC do B), que afirma que apenas 10% das propriedades rurais do Brasil são latifúndios (30 mil unidades) e, mesmo assim, a grande maioria é produtiva, o petista fez uma pausa antes de defender a criação de um novo índice de produtividade das propriedades rurais.