Com tantas medidas de real importância a serem tomadas para os brasileiros, especialmente no campo da ética e da moral onde a corrupção graça aberta e deslavadamente nas instituições políticas, o Planalto se preocupa com palmadas.
Fossem elas criadas para punir contraventores, idealizadores de dossiês, esbulhadores de recursos públicos, superfaturamentos de obras públicas, agremiações partidárias que tenham homologado candidato ficha suja e até preso, poderíamos concordar.
Muitos em minha faixa etária – acima de 80 – e outros, abaixo de 30, se pronunciaram afirmando ter levado na infância as palmadas que qualificam de bom efeito em suas formações.
Pesquisa Datafolha recente indica desaprovação pela maioria à medida pretendida pelo governo que está a concluir mudanças no Estatuto da Criança e Adolescente. Com a aprovação do diploma, serão limitados os poderes e liberdade dos pais para educar seus filhos, – aqueles que ainda assumem a responsabilidade de fazê-lo – fato que certamente irá representar uma invasão no direito interno no lar. A conceituação que se tenta expender através daqueles que apóiam a medida distancia-se da realidade amplamente conhecida e testada no passado.
Sua prática vem de um tempo em que a violência tinha estatísticas quase inexistentes comparadas com as atuais, em que se prega a absoluta liberdade de crianças e adolescentes. À cada dia se busca ampliar a licenciosidade esquecendo-se o estabelecimento de limites e obrigatoriedade da disciplina. O fato pode identificar as novas regras como causa dos infortúnios que hoje vivemos.
Quando alguns fazem referências visando potencializar os efeitos da palmada na educação de filhos – castigos corporais, crueldade degradante, surras, queimaduras e ameaças de morte –, confundem as opiniões sobre o que chamo de palmada do amor com desejo didático em favor do filho que pretende no futuro ser útil a sociedade, disciplinado, com consciência de limites.
Quando o Estatuto da Criança e do Adolescente coíbe “maus tratos”, já por si define violência com a qual não devemos pactuar. No entanto, quando se pretende interferir na administração da família, entendo ser absolutamente condenável a ingerência do Estado na ação de pais de conduta e comportamento alicerçados nos parâmetros regulares da sociedade.
Jamais se encontrou alguém lamentando palmadas educativas que tenha levado. Ao contrário, são – e somos –, hoje, reconhecidos e gratos por seus efeitos em nossas vidas.
Eu mesmo, – e conto – merecidamente levei minhas oportunas e justas, havendo nelas muito amor na preocupação de ordenar meu futuro, alinhavar minha conduta e imprimir em mim, conceitos de disciplina e respeito.
Uma palmadinha, além de revelar amor profundo, singulariza tantos efeitos positivos na humanidade a partir da formação de caráter, trilho indispensável a guiar-nos altaneiros em nossas jornadas.
Garcia Netto
Jornalista