A troca do corpo de um homem no domingo virou caso de polícia. A família do sapateiro Cláudio Cruz, 38, que residia no Jardim Paulistano e morreu no início da madrugada de domingo, indignada, registrou um boletim de ocorrência no plantão policial. Segundo o delegado João Walter Tostes Garcia, que registrou o fato, não houve crime, mas os parentes vão pedir uma investigação para apurar se a responsabilidade pelo erro teria sido do IML (Instituto Médico Legal), onde a autopsia foi realizada, ou da Funerária Tedesco, contratada para realizar o velório e sepultamento. O equívoco, segundo Carlos Alberto de Lima, 39, gerente da funerária, foi cometido por um funcionário da empresa.
O sofrimento da família Cruz começou nos primeiros minutos de domingo, quando Cláudio foi encontrado morto dentro do banheiro de sua casa por sua mulher, a cozinheira Thelma Aparecida Leal, que chegou do trabalho e avistou o marido já sem vida. O corpo foi levado para exames no IML. O técnico em enfermagem Claudemir Cruz, 40, morador no Jardim Líbano, irmão de Cláudio, ainda na madrugada esteve na Funerária Tedesco e acertou os detalhes do velório e do sepultamento previsto para as 16h30, no Cemitério Santo Agostinho.
No período das 9 até as 13 horas, segundo Claudemir, os familiares mantiveram três contatos com a funerária para saber sobre a liberação do corpo e a resposta sempre foi negativa. Os parentes, então, resolveram ir ao IML e, como o portão estava trancado, ligaram para a Polícia Militar. Eles foram orientados a procurar o plantão policial. “Na delegacia, nos informaram que o corpo do meu irmão estava liberado antes do meio-dia”, disse Claudemir.
Os parentes estiveram na funerária e pediram agilidade, já que o horário para o sepultamento estava próximo. Pouco antes das 15h30, funcionários da Funerária Tedesco chegaram com o caixão, mas não havia sala disponível no Velório Santo Agostinho. Os parentes de Cláudio Cruz tiveram autorização, de uma família que velava um jovem de 17 anos, para usar um canto da sala. O material para o velório foi instalado e quando o caixão foi aberto, descobriu-se que o corpo do sapateiro havia sido trocado pelo de outra pessoa. Segundo a família, o corpo errado estava, inclusive, com as roupas de Cláudio Cruz. A correção do mal entendido foi feita imediatamente pela funerária. “Foi um constrangimento muito grande”, lembrou Claudemir.
A enfermeira Andréa Cristiana de Deus, 39, cunhada de Cláudio Cruz, acompanhou a viatura da funerária até o IML, onde fez o reconhecimento do corpo. E na instituição, um novo contratempo. Segundo Andréa, um funcionário da funerária disse que o caixão quebrou dentro do IML e que precisava pegar um novo.
O procedimento levou duas horas e quando, por volta das 18 horas, o corpo de Cláudio Cruz chegou ao Cemitério Santo Agostinho, já não havia luz natural suficiente para o sepultamento, que foi transferido para as 9 horas de segunda-feira.