Às vésperas de mais uma eleição, os candidatos a cargos políticos já iniciaram a campanha em busca dos votos dos eleitores. Os eleitos - presidente, governadores, senadores e deputados - terão o dever e o poder de decidir os caminhos que o País trilhará nos próximos quatro anos, mas não são todos os jovens que se preocupam com isto. Seja por falta de estímulo, descrença ou mero desinteresse, o fato é que muitos jovens brasileiros se desligam da política.
É o caso da estudante francana Samira Lígia Carvalho Inácio, de 17 anos. Samira poderia ter tirado o título de eleitor aos 16 anos, mas optou por não votar ainda. “Não quero começar a pensar nisso agora, uma hora vou ser obrigada a fazer, quando eu for, eu faço”, afirma. Assim como Samira, muitos jovens francanos preferem não votar. O número de eleitores facultativos entre 16 e 17 anos em 2010 é menor do que em 2008. A cidade possui atualmente 2.244 jovens eleitores facultativos, contra 2.570 em julho de 2008, queda de 12,68%. Os dados foram informados pela 46ª Zona Eleitoral de Franca.
Leonardo Queiroz Leite, de 24 anos, tem uma visão crítica sobre a política bra-sileira. “Faltam profissionalismo e seriedade. Os políticos, muitas vezes, misturam o que é público com o que é privado. São estas coisas que fazem a nossa política ser arcaica e ineficiente”.
Porém, ao contrário de Samira, Leite se interessa, e muito, por política. Ele é formado em Relações Internacio-nais, faz pós-graduação em gestão pública em São Paulo, é assessor de um candidato a deputado estadual da cidade de São Paulo e ainda é titular do Conselho Municipal da Juventude de Fran-ca. “(O Conselho da Juventude) é um órgão ligado à prefeitura, mas é autônomo, e tem como objetivo discutir políticas públicas para o município”, salienta.
Leite observa que somente o Conselho não é suficiente, os jovens precisam de mais representatividade. “Temos mais de 100 mil jovens entre 18 e 30 anos na cidade (de Franca). Precisamos de programas de emprego, saúde, prevenção de drogas, lazer e espaços para expressão artística específicos para a juventude”, destaca.
O estudante Ronier Ribeiro, de 21 anos, se diz pessimista com relação à política. “Os discursos são os mesmos, não dá para acreditar neles (políticos), por isso prefiro não me envolver”, explica. Leite afirma que se preocupa com esta postura dos jovens. “Falta engajamento nos jovens francanos. Seja por uma questão de gosto, mau exemplo dos políticos ou falta de estímulo, o fato é que existem poucos espaços para que o jovem possa sentar e discutir com vereadores e prefeito, por exemplo”.
Leonardo Simões e Silva, de 20 anos, residente em Ribeirão Preto, é mais otimista. Ele se filiou a um partido e acredita que cada um pode fazer a diferença. “Sempre tive uma frase comigo: ‘Não podemos reclamar se não podemos fazer melhor’. Este é o meu norte”, destaca. Silva possui, inclusive, um blog no qual tenta estimular as pessoas a se envol-verem mais com política.
O jovem não hesitou em dizer que quer seguir na vida pública. “Pretendo, um dia, assumir um cargo político. Como eu disse, não adianta reclamar, temos que colocar a cara para bater e provar que podemos fazer melhor”.