08 de julho de 2026

Silêncio que incomoda


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Desde o dia 19 de junho (há quase 45 dias), a população se Franca e região espera uma resposta. Naquele dia, a caminhonete dirigida pelo candidato a deputado federal Tirso Meirelles (PSDB) e o automóvel ocupado pelo supervisor Jandemir Missias da Silva, 47, a mulher Elizete Aparecida Silva, 46, e a filha Izabella Missias da Silva, 12, se chocaram. Os três últimos morreram. Tirso ficou ferido. A operadora de caixa Karen Daniele, 22, perdeu toda a sua família no desastre ocorrido na rodovia Prefeito Fábio Talarico. Moradores de Guará, os três seguiam para Guaíra, a fim de visitar a mãe de Elizete, que estava internada. O candidato retornava de uma festa nesta última cidade. Até agora, nenhuma explicação para a tragédia foi dada pelas autoridades. Tirso Meirelles, que se envolveu no acidente com os três mortos, ainda não prestou esclarecimentos à polícia e muito menos veio a público falar a respeito, fechando-se em copas desde o fato. Embora esteja mantendo a sua candidatura, o fato é que Tirso precisa contar o seu lado da história e dar respostas a várias indagações, como a sua recusa em realizar exame de dosagem alcoólica. A estratégia do silêncio, adotada pelo candidato, não é o que se espera de quem terá que se colocar à frente do eleitor para pedir seu voto.


Desde o dia 19 de junho, Tirso Meirelles não fala com a imprensa. Pedidos de entrevistas foram feitos por este Comércio, em vão, para sua assessoria. O Comércio também ligou para o celular do candidato, sem nenhum sucesso. É voz geral da população que Tirso não pode negar indefinidamente um esclarecimento a todos os que acompanharam a morte de três pessoas de uma mesma família. Até hoje, sabe-se muito pouco sobre o que aconteceu naquela tarde de sábado. Não havia testemunhas. No Boletim de Ocorrência registrado pela Polícia Rodoviária de Orlândia consta que Tirso Meirelles invadiu a pista contrária. Em razão dos danos provocados nos veículos, o delegado José Bernardino Alecrim, do 1º Distrito Policial de São Joaquim da Barra, responsável por apurar responsabilidades, acredita que o candidato teria invadido a pista contrária. Mas ainda não existem laudos oficiais que apontem a causa do acidente.


A situação que acompanhamos incomoda. Tivesse ele vindo a público, logo após o acidente, apresentando a sua versão, seria possível que a maioria das indagações feitas agora já tivesse sido dirimida. As manifestações de leitores do Comércio até agora cobram explicações que nem polícia e muito menos o único envolvido no acidente que sobreviveu tenham dado. Porque, embora no Brasil haja quem pense o contrário, o principal vínculo entre eleitor e candidato é a confiança. Com o seu mutismo, Tirso desconsidera uma chance de demonstar aos eleitores que é capaz de enfrentar adversidades com coragem e clareza.