Segundo os dicionários, crueldade é qualidade do que é cruel. Ação cruel. Cruel vem do latim crudele, daí o superlativo crudelíssimo, que significa o sentimento de quem age sem piedade, com muita maldade, com perversidade. E a perversidade é exclusiva do ser humano, vez que o animal irracional age instintivamente.
Mesmo quando atinge sua presa com muita agressividade, o animal não é movido pela crueldade e sim pelo instinto, ou de defesa ou de conservação. Já o homem caçador atua com sagacidade, com crueldade, criando as mais dolorosas armadilhas para capturar suas presas, caracterizando o requinte de crueldade.
O noticiário nos tem mostrado acontecimentos onde a crueldade é levada ao extremo. Esquartejamentos com moto serra, indivíduos obrigados a ingerir substâncias altamente tóxicas e corrosivas, despedaçamento por tração animal, incineração entre pneus, concretagem de corpos, afogamentos em líquidos ferventes, enfim, uma incompreensível crueldade. Surge uma insopitável pergunta: de onde tanta crueldade?
De pronto, podemos afirmar que não é de origem Divina. Não foi erro de produção. Além dos componentes materiais provocados pela própria sociedade egoísta e consumista, caracterizada pela ausência de Deus, surge a ação cruel pelo mau uso do livre-arbítrio, de que somos dotados.
E o dom sagrado da liberdade de agir é o que nos faz livres, porém, responsáveis. Se assim não fora, seríamos apenas bonecos, marionetes. Por isso as Leis Divinas, sábias e justas, reúnem os que desejam agir com crueldade e aqueles que precisam sofre-la. Não que alguém reencarne para praticar o mal. É que pela própria exteriorização dos pensamentos, os espíritos revelam suas tendências, suas aptidões, seus anseios. E, por atração magnética, a vida reúne agressor e necessitado de agressão, num sincronismo maravilhoso, visando sempre ao progresso.
Entendemos, portanto, que se trata de semeadura, que é livre e colheita, que é obrigatória, porque resultantes do uso do livre-arbítrio. Indubitavelmente, a crueldade revela um atraso espiritual de quem a pratica. Trata-se de espírito ainda situado nos degraus mais baixos da escalada evolucional.
Ensina-nos o Espiritismo que um espírito ainda em baixos níveis evolutivos pode solicitar uma encarnação numa sociedade mais adiantada, a fim de melhorar-se (vide pergunta 272 de O Livro dos Espíritos). Contudo não consegue atingir seus objetivos, recaindo pela ausência de qualificação moral. São eles os que praticam a crueldade.
São ‘O flagelo da humanidade’, conforme está exposto em O Livro dos Espíritos.
Para melhor aprofundamento do assunto sugiro a leitura do livro Pena de Morte e Crimes Hediondos à Luz do Espiritismo, de autoria do consagrado escritor francano Dr. Eliseu Florentino da Mota Jr., onde o leitor encontrará mais e melhores esclarecimentos sobre a questão.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais e diretor do Idefran (Instituto de Divulgação Espírita de Franca)