09 de julho de 2026

Salada na política


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O balaio de gatos em que se transformou a campanha eleitoral deste ano é de dar nó na cabeça de todo mundo. Há candidatos que levam apoio de um partido em nível doméstico e acabam criando dois palanques à Presidência da República. Ainda há outros que não podem citar o presidenciável de sua preferência, pois o seu partido fechou uma coligação formal com o opositor. No primeiro caso, destaca-se a situação de Fernando Gabeira (PV), no Rio de Janeiro. Seu partido tem como candidata à sucessão do presidente Lula a senadora Marina Silva. Porém, por conta de uma aliança fechada com o PSDB no Estado, Gabeira também apoia José Serra. Já o candidato ao governo de Alagoas, Fernando Collor (PTB), está proibido de fazer campanha para Dilma Rousseff, cuja candidatura ele defende publicamente, pois os trabalhistas fecharam com os tucanos para a candidatura majoritária à Presidência da República. Em São Paulo, outra situação também confusa: Orestes Quércia (PMDB) integra a aliança com o PSDB enquanto, para a sucessão de Lula, apoia Dilma Rousseff (PT), que inclusive tem como vice o também peemedebista Michel Temer. É ou não é uma salada?


Tudo isso é culpa da legislação eleitoral brasileira, bastante confusa e que permite alianças como estas, quando se sabe que a maioria delas é concebida apenas para se ganhar maior tempo na propaganda eleitoral da TV e do rádio, pago com empregos públicos. Além disso, a maioria delas também traz em seu bojo o fisiologismo puro e simples. Grande parte dos políticos brasileiros segue o rumo dos ventos que sopram em Brasília. Só para ficarmos em um exemplo: o petista Luiz Inácio Lula da Silva sempre foi de esquerda, mas agora alia-se a Fernando Collor (que sofreu um impeachment na Presidência da República e foi alvo de discursos duros do ex-metalúrgico) e ao senador José Sarney, também peemedebista (mas que nasceu sob a égide da Arena dos militares), que se tornou inclusive um conselheiro do presidente. Urge uma nova legislação eleitoral, que acabe com esta verdadeira colcha de retalhos que vem sendo mudada de acordo com o humor e os interesses do Congresso Nacional.


Deve-se buscar um código legislativo mais moderno e menos complicado, que impeça que os interesses pessoais e o fisiologismo tomem conta da política brasileira. Não podemos mais assistir, impassíveis, esta verdadeira confusão, onde uns apoiam aqui mas não apoiam ali na frente, tudo por conta da propaganda eleitoral gratuita e dos cargos futuros no governo - há setores que são verdadeiros “feudos” de determinados parlamentares. Países modernos, mais avançados do que o Brasil, contam com exemplos bastante significativos que buscam barrar corruptos e corruptores das decisões nacionais. Tudo o que é bom precisa ser seguido. Já passa da hora de o Brasil buscar contemplar verdadeiramente a sua população com políticos interessados verdadeiramente no crescimento da Nação, fazendo com que os nossos impostos sejam valorizados e aplicados em benefício de todos nós.